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carandiru
rosas
innersmile
E pronto, não resta ao coimbrinha cinéfilo outra alternativa que não seja meter-se no autocarro e ir até Aveiro ver os filmes minimamente interessantes e que não sejam os blockbusters da moda. Tinha lá ido na quarta-feira ver o Sylvia, voltei ontem para ver Carandiru. Ontem, ainda teve o bónus de ter ido ao meu bar preferido beber um copo e de um dos donos ter tido a simpatia de mo oferecer. Qualquer dia mudo-me!

Quanto ao filme! A primeira nota é de curiosidade (ou talvez não): é o quarto filme que vejo de Hector Babenco, e é o quarto passado (total ou parcialmente) em prisões (ou outros foram: Lúcio Flávio, O Passageiro da Agonia, Pixote: A Lei do Mais Fraco e O Beijo da Mulher-Aranha). Carandiru é, como facilmente se imagina, fortíssimo, de uma enorme crueza, e com acentuado fundo político, como parece ser marca do realizador.
Valha a verdade que o filme tem coisas muito negativas, e que o comprometem seriamente. Desde logo uma certa candura, um olhar demasiado benévolo, não tanto em relação aos criminosos, como sobretudo em relação às condições da vida prisional e à própria estrutura hierárquica da prisão. Como não li o livro que está na base do filme, não posso aquilatar até que ponto essa benevolência resulta dos relatos do médico acerca de quem gira a narrativa, mas, de todo o modo, o olhar do filme sempre me pareceu muito conformista, até, claro, à cena final do massacre, em que aí assume a atitude radicalmente contrária, de forte censura à intervenção e aos métodos da Polícia Militar. Percebo a intenção, e provavelmente ela justifica-se. Mas a linearidade e o simplismo de tal leitura compromete a sua eficácia, e o espectador, pelo menos este espectador, assim como nunca acreditou demasiado na candura das ‘cenas da vida presidiária’, também não aderiu totalmente ao ‘gore’ do final do filme.
Mas o filme tem igualmente aspectos muito positivos, a começar pela confirmação da desenvoltura e maturidade dos métodos técnicos e narrativos do cinema brasileiro, ou de certo cinema brasileiro, sendo mais um da recente lista de filmes brasileiros que se têm estreado em Portugal, a evidenciar esta solidez. Solidez ao nível do argumento, da estrutura do filme, da forma como a narrativa se vai desenvolvendo. Solidez dos desempenhos, na criação de ambientes, na capacidade de, de forma muito elíptica e eficaz, traçar o perfil dos personagens e contar as suas histórias pessoais.
Numa nota um pouco mais leve, de referir igualmente, entre as coisas positivas do filme, a representação de Rodrigo Santoro em Lady Di, provavelmente a traveca mais bonita da história do cinema, e que o actor, galã de novelas, desempenha com risco e total sucesso.
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innersmile
Quando os habitantes de Pequenópolis emigram para a América, vão sempre viver para a cidade de Miniápolis.