May 16th, 2004

rosas

troy

Troy é um épico de aventuras inspirado quer nos filmes peplum dos anos 60 quer nas personagens e eventos dos poemas homéricos. A história do filme é uma espécie de 1 casamento e 4 funerais: o casamento, ou mais propriamente a união de facto, é, claro, entre Páris e Helena, o que enfurece o marido e dá ao irmão deste o pretexto para ir atacar Tróia (sem ter de ir a Setúbal apanhar o ferry). Os funerais são: o do traído e espoliado Menelau, o do primo Pátrocolo (a quem se aplica o dito popular ‘quanto mais prima mais se lhe arrima’), que se lixou ao tentar fazer um pouco de role playing, o do sempre afável Heitor (já se faziam umas t-shirts a dizer I <3 Bana), e finalmente o do estufado Aquiles.
Como se vê, o filme é totalmente gay oriented! Não só a relação entre Aquiles e o primo Pátrocolo é completamente assumida, como os actores que lhes dão corpo (e que corpo), Brad Pitt e Garrett Hedlund parecem mesmo os actores dos filmes porno gay com ar de clones musculados da Califórnia. Aliás, há uma cena em que os dois brincam às espadas (lá está!) que parece mesmo uma cena que eu vi num fil... adiante. Depois, há as cenas de nu do Pitt que são muito bem feitas. Além disso, o filme está cheio de gajos bons, que passam o filme em trajes sempre mais menos muito reduzidos, e são gregos. Ou seja, entre este filme e uma semana de férias em Mykonos não deve haver grande diferença (digo eu, claro, que nunca estive na Grécia). Que um filme tão gay apele de forma tão poderosa às audiências heterossexuais, a ponto de ser um sucesso comercial, é daqueles mistérios que me fascinam.
Outro ponto de interesse do filme é dar-nos uma representação razoavelmente coerente (não sei se será muito fiel) da imagética e da iconografia da antiguidade clássica. É sempre interessante ver como estes filmes criam esse tipo de representações, e como elas se conseguem aguentar, a ponto de criarem no nosso imaginário mais ou menos colectivo, e ‘imagem’ definitiva de uma determinada abstracção literária.
E pronto, assim de repente é o que me lembro de dizer acerca do filme. Ah, e que as quase três horas se passam muito bem, o filme é empolgante e nada aborrecido. Ah, é verdade, e está cheio de gajos bons.