May 10th, 2004

rosas

(no subject)

Dia negro este. A MR tinha tirado a semana passada um caroço do peito, viu hoje confirmadas as piores suspeitas. Parece-me que tudo o que eu consiga escrever aqui sobre isso me soa a uma terrível obscenidade.

O fim de semana foi dominado por dois concertos absolutamente fabulosos. Na sexta-feira, no Coliseu de Lisboa, a apresentação do álbum ‘Resistir É Vencer’, do José Mário Branco. O espectáculo segue à risca o alinhamento e o projecto musical do disco, e confirma JMB como um arranjador de génio e um intérprete capaz de dar às canções força e ‘estofo’ dramático. Enternecedor o momento, antes do final, m que o ‘Coro dos Gambuzinos’ entrou em palco para passar em revista algumas das canções mais determinantes e populares do JMB e que acabou com um miúdo mesmo muito pequeno a dizer as famosas palavras finais do FMI: "Sou português, pequeno burguês de origem, filho de professores primários, artista de variedades, compositor popular, aprendiz de feiticeiro, faltam-me dentes. Sou o Zé Mário Branco, (61) anos, do Porto, muito mais vivo que morto, contai com isto de mim para cantar e para o resto."
Outra experiência interessante foi assistir a um espectáculo da galeria do Coliseu. Apesar de o som não ser o melhor, sobretudo porque se perdiam algumas das subtilezas dos arranjos, A visão ‘olho-de-pássaro’ do Coliseu cheio como um ovo é de tirar a respiração.

Outro espectáculo magnífico foi o de Elvis Costello, ontem, no Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz. Mais de duas horas de entrega total, em que EC e um pianista fabuloso chamado Steve Nieve encheram o palco. Sendo o EC um ‘songwriter’ torrencial é espantoso como um espectáculo em que as canções pareciam colar-se umas às outras pode criar ambientes e atmosferas propícias à ‘estória’ que cada uma das canções conta. Depois de um hora e pouco de concerto, o EC regressou para três encores, que acrescentaram mais de uma hora de música à função, acabando a incendiar a sempre tão circunspecta plateia da CAE com alguns dos seus êxitos, nomeadamente a ‘love, peace and understanding’. Foi um concerto memorável, como só um grande músico, um tipo com muita rodagem, com muita ‘respiração’, poderia fazer.