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kill bill vol.2
rosas
innersmile
Epah, não ia ao cinema desde Março, desconfio que isto dava um recorde lá para o livro deles. De certa forma é a prova de que não sou viciado, quer dizer, sempre fui vendo uns filminhos em dvd ou na tv e tal, mas a dependência só conta mesmo em relação ao grande ecrã e ao feixe de luz.
Bom, mas guardado está o bocado, e a retoma (poix!) fez-se em grande, com o VOL.2 do Kill Bill.
A primeira nota é obviamente de surpresa. Fui para o cinema, como presumo terão ido muitos outros, à espera de mais do mesmo, ou seja de outro festival de cinematografia e de cinefília, muito sangue, muito 'camera work', muita montagem vertiginosa. Mas se o primeiro volume de KB era formatado segundo os canones do cinema kung fu de matriz oriental, este Vol.2 vai buscar a matriz aos western spaghetti dos anos 60, gerindo o mesmo tipo e ambiente de tensão dos clássicos de Sergio Leone et al. Bem, dizer isto não significa que o filme é um remake desse género cinematográfico. Afinal, estamos a falar de Quentin Tarantino e do seu sistema, em que uma espécie de cinefilia radical é o ponto dce partida para a construção de um universo narrativo complexo e coerente, ainda que o seu objectivo nunca seja muito mais do que o entretenimento puro e duro. Neste aspecto, QT é um génio, e os seus filmes são pontos de prazer absoluto, assim mesmo de um gajo ficar a olhar para o ecrã a escorrer baba pelos cantos da boca.
As surpresas do filme começam logo na cena inicial, quando estamos todos à espera de assistir a um banho de sangue e a câmara afasta-se pudicamente quando começa o tiroteio. Está dado o mote: se o Vol.1 era um festival de violência encenada, neste Vol.2 gerem-se sobretudo as tensões entre as personagens, sobretudo entre A Noiva e Bill, e através dos diálogos, passe a tautologia, à Tarantino: QT escreve diálogos com a mesma exuberância com que filme as cenas de pancadaria, são uma coisa luxuriante e carregada, mas muito rigorosa, são sempre uma encenação da tensão entre as personagens mas nunca enunciam o progresso da narrativa. Os diálogos empurram a acção, não pelo que enunciam, não pelo que se diz, mas porque são uma espécie de luta, de pugilismo verbal, entre as personagens.
Como sempre acontece com o QT, o filme está carregado de sinais, de brincadeiras, de piscadelas de olho, de referências, de citações e homenagens. Por isso, mas também porque estou ansioso por ver como é que os dois volumes funcionam juntos, aguarda-se a edição em dvd dos dois Kill Bill, tanto mais que já corre por aí que os extras vão ser de luxo.
Bom, dizer que a Uma Thurman (aquele preciosismo de a história ser de autoria de Q & U) é o motor do filme, a diva a quem o autor se entretém a maltratar e a endeusar, é dizer o que toda a gente já sabe. Dizer que a banda sonora é um elemento essencial da narrativa é repetir o que toda a gente já sabe.
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