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companhia portuguesa de bailado contemporâneo
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Espectáculo da Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo, no Gil Vicente, com coreografias de Vasco Wellenkamp (Missa, com música de W.A. Mozart), Ronald Malzer (Relação) e Benvindo Fonseca (Castañeda, com colagem musical de música cigana romena).
A primeira peça apresentada é, como dizia o programa, um verdadeiro portfólio coreográfico de VW, que vale sobretdo por esse efeito de catálogo. É leve, alegre, rigoroso, muito bem executado, mas peca apenas por falta de ideário, de programa coreográfico. No entanto, como primeiro número do programa, parece-me feliz.
Relação não é ainda bem uma coreografia, é ainda sobretudo um divertimento, simples, curto e linear. E, como se impõe, divertido. Mais uma vez, a rigorosa prestação dos executantes é um prazer sensorial.
A peça de Benvindo Fonseca é a piéce de resistance do programa: uma ideia de coreografia, bem desenvolvida, servida por uma linguagem coreográfica coerente e sustentada. Os figurinos, o desenho de luzes, o encadeamento das músicas, todos esses elementos contribuem para dar um sentido de maturidade à coreografia. Talvez não precisasse de ser tão demonstrativa, porque acaba por provocar uma certa dispersão que contradiz um certo 'pathos' enunciado nos primeiros números. Mas o trabalho de BF é definitivamente de acompanhamento obrigatório.
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O dia de hoje marca o alargamento da União Europeia, de 15 para 25 países, o maior desde que foi constituída a comunidade económica europeia.
Sentimentos contraditórios. Por um lado, admito algum receio, mesmo que seja o simples medo do desconhecido. Receio de que este alargamento reforce ainda mais o centro de poder europeu e nos torne, a nós portugueses, ainda mais periféricos, e com um estatuto ligeiramente inferior ao de qualquer região autonómica espanhola. Receio de que, num mercado imenso, a lusa vocação solarenga para ser o campo de golfe da Europa do norte se torne ainda marcante. Receio, por fim, de que fiquemos definitivamente arredados do pelotão da frente do desenvolvimento, uma vez que nos ocupámos todos, com muita determinação, a desbaratar o melhor do nosso período de adaptação, como se vê, por exemplo, pela maneira como desperdiçámos os milhões destinados à formação. Alguns dos países que hoje passam a fazer parte da UE têm um potencial de desenvolvimento, em parte herdado da eficácia dos sistemas de ensino da era comunista, muito superior ao nosso, e em poucos anos, estou certo, farão parte da Europa da primeira liga (estou a pensar na Hungria, mas mesmo na Polónia ou na Republica Checa).
Mas esses receios convivem com uma certa sensação de euforia. Acredito muito sinceramente num futuro transnacional. Não é que seja propriamente federalista, mas agrada-me a ideia de uma comunidade imensa de culturas, de nações, de povos, de tradições. Acredito na mestiçagem, no inter-culturalismo. Agrada-me a ideia de que, independentemente do que nos separa ou nos atrai, temos a ganhar em fazer parte de um mesmo espaço de intervenção (económica, política, social, cultural), nós os desta ponta mais ocidental, com os nossos ‘colegas’ lituanos lá da outra ponta do Báltico ou com os cipriotas lá do outro lado do Mediterrâneo.
Acredito, mesmo que isso possa parecer uma utopia um bocado ‘hippie’, que um futuro em que os povos e as raças e as culturas se misturem, há-de ser um futuro mais bonito, mais colorido e, oxalá!, mais pacífico.
Por isso, em nome dessa utopia, parece-me ser o dia de hoje um dia feliz.