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25 de abril sempre
rosas
innersmile
"Ando meio desligado", como dizia uma antiga canção cantada pelo Ney Matogrosso, e só isso justifica não ter ainda registado aqui no innersmile a revisão constitucional do artigo 13º, que consagra o Princípio da Igualdade, e que a partir de agora passará a ter uma redacção mais ou menos assim:

Artigo 13.º
(Princípio da igualdade)

1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.

2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica ou condição social, e orientação sexual.


É "a small step to man", sem dúvida, e nem por isso "a giant step to mankind", até porque a proibição da discriminação resultava já do texto do articulado e da própria enunciação do princípio. Mas o que dá gozo, é o facto de o texto constitucional ter 'assumido', pela primeira vez, essa realidade que é a possibilidade de haver diversas orientações sexuais, e que, por respeito ao princípio da igualdade, nenhuma delas poder ser considerada 'a norma', tal como acontece com os outros factores enunciados no n.º 2 do artigo.

Curiosamente, hoje, pela primeira vez na vida, fui objecto de uma boca, no mínimo, discriminatória, para não dizer homófoba.
Entrei para jantar num dos mais conhecidos restaurantes da Figueira da Foz, que, por ser cedo, ainda estava praticamente vazio. Sentámo-nos (éramos duas pessoas) e o empregado veio perguntar se éramos só dois. Respondi que sim, e ele murmurou, num tom suficientemente alto para o ouvirmos, "só pédés". Por uns momentos fiquei na dúvida se aquilo que ele tinha dito seria mesmo aquilo que me parecia que ele tinha querido dizer, mas a pessoa com quem eu estava interpretou da mesma forma. Fiquei, como acontece sempre que sou apanhado de surpresa por uma boca desagradável ou ofensiva, sem reacção, e quando comecei a pensar no que deveria fazer, achei que já era demasiado tarde. Mas ainda agora estou aqui dividido entre ter achado que não reagir foi a forma mais 'superior' de ter lidado com a situação, ou se devia mesmo, no mínimo, ter saído porta fora.
Se calhar até estou a exagerar, mas a verdade é que estou ainda um pouco perturbado por ter sido objecto de uma boca, mas o caso é que realmente nunca me tinha acontecido.
A única coisa que me consola é que se, na realidade, àquela hora, o restaurante estava vazio, à medida que foi enchendo, o número de casais masculinos e femininos presentes, aumentou substancialmente. Ao ponto de, com sentido de humor, termos, afinal, dado razão ao empregado!