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(no subject)
rosas
innersmile
Hoje fui aí a uma casa nova que abriu em Coimbra, ouvir fado de Coimbra. Tive muita sorte, porque pelo meio saiu um pianista (Ricardo Dias?) extraordinário, muito jazzy.
Já agora, a casa chama-se A Capela, fica lá em cima, na Rua Corpo de Deus, e pareceu-me um lugar muito recomendável; se não houvesse outras razões, e há, ao menos pelas tostas de queijo.

Mas seja como for, lembrei-me de que tinha escrito uma vez um projecto de letra para um fado de Coimbra, e fui à procura dele pelas arcas empoeiradas do disco rígido. Encontrei-o; escrevi-o em 1997 (11 de Junho; as vantagens de ter diários antes do tempo dos blogs), e era assim:

SONETO PARA UM FADO DE COIMBRA

Em Coimbra Cidade a saudade vivi
Dos amores que lá tive, os ganhei e perdi
A idade é tão alta e tão perto do chão
Comecei e termino junto ao coração

Desde a fonte em que bebo ao nascer deste dia
O sol vinha chegando e a treva morria
Pela estrada da trova fugia ao açoite
Até ao fim do rio deito o corpo na noite

Não me dês uma esperança, não me abras sinal
Não me estendas a rosa, meu bem e meu mal
Afoga esta ilusão de que não há um fim
Que a idade é um grito, toque de clarim

Da Cidade a saudade, em Coimbra chorei
Ainda agora começo, e já terminei.
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