March 17th, 2004

rosas

oops

Eu não vou ao Rock in Rio, quer dizer: não é provável que vá. Já não tenho idade para certas coisas, e não há nenhum nome do cartaz (bom, há o Peter Gabriel) que me leve a passar por trabalhos e canseiras para o ver. Agora, já não percebo a cena do boicote ao Rock in Rio e os autocolantes a dizer ‘eu não vou’ e a quantidade de blogs a favor e contra o Rock in Rio (bem, eu esta também não preciso de entender, os blogs são como os jornais desportivos, nunca são demais).
Não percebo em que é que este festival é assim tão diferente dos outros, o que é que ele tem de tão pecaminoso que o torne objecto de boicote. O Rock in Rio suporta o terrorismo islâmico? O Rock in Rio explora o trabalho infantil nas economias asiáticas, como o fazem as marcas das sapatilhas? O Rock in Rio exporta cigarros e medicamentos fora de prazo para o terceiro mundo? O Rock in Rio opõe-se ao uso do preservativo como meio de profilaxia da Sida? O Rock in Rio é um regime ditatorial que ameaça os interesses dos Estados Unidos no mundo? Suponho que a resposta a estas questões seja negativa. Suponho apenas, claro, que nestas coisas, e da maneira como o mundo está, nunca se tem bem a certeza de nada.
Então será porque o festival é uma mega-operação de marketing que visa explorar a forte apetência consumista (de produtos culturais, mas também de outros bens, como a cerveja) de uma certa camada etária da população que tem um papel decisivo do estabelecimento do perfil de consumo das famílias? Será porque a organização do festival está ligada a capitais estrangeiros e os possíveis lucros vão todos a correr para os cofres das multinacionais? É que se for por isto, não percebo em que é que este festival seja muito diferente dos outros. Há festivais que se organizam com patrocínios de empresas exclusivamente nacionais? Há empresas exclusivamente nacionais?
É que se for mesmo apenas por uma questão de gosto pessoal, de atitude, de ‘onda’, percebo que não se vá, mas já não entendo a razão do boicote. ‘Live and let live’, pode também ser o lema dos festivais.
Oops, I did it again. Hit me baby one more time.