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op26
rosas
innersmile
Foi a Sonata para Piano KV 331 que me levou ao cd. Eu tinha lido já aqui há uns tempos valentes que Alfred Brendel restituía a esta peça de Mozart a pureza e a alegria que o facto de ser uma das mais usadas e abusadas pela indústria popular do divertimento lhe tinha retirado: o terceiro andamento da sonata é o célebre ‘Alla Turca’. E realmente é poderosa a força interpretativa que Brendel consegue impor.

Mas como quase sempre acontece, as melhores coisas na vida são muitas vezes aquelas que não procurámos, as que vêem ter conosco numa inesperada curva do caminho.
O disco de Brendel contém, para além as Sonata referida, uma outra peça de Mozart, as Variações Duport, e duas de Beethoven, umas variações e a Sonata nº 12, Op. 26. Conheço muitíssimo mal a obra de Ludwig Van Beethoven, só mesmo aquelas coisas mais vulgares e populares, e não estava nada à espera do milagre que foi ouvir a sonata. Toda ela é lindíssima, em quatro movimentos, Andante, Sherzo, Marcha fúnebre e Allegro. E precisamente o segundo movimento, o scherzo, é que me arrebatou completamente. Não conheço outras interpretações para poder comparar ou tirar conclusões, mas esta de Brendel é uma coisa muito poderosa, com uma respiração muito jazzistica, quase como se estivéssemos a ouvir uma improvisação, como se houvesse um fio de emoções que passasse das mãos do pianista para o instrumento e que fosse esse sopro, com as suas alterações, os seus momentos mais líricos e mais arrebatados, as suas mudanças de humor, os seus acordes quase hipnóticos, os seus murmúrios e as suas suspensões, que nos chegasse às terminações nervosas.
Calculo que seja muito pouco canónico dizer que uma obra de Beethoven é muito linda porque se parece com uma improvisação de jazz, mas que fazer?, é mesmo assim.
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(no subject)
rosas
innersmile
Em Madrid contam-se os mortos.
A besta mostrou a sua face, e desta vez o rosto que se esfuma em baba e ódio e o rosto que se esvai em sangue e medo, são os dos nossos vizinhos, os dos nossos irmãos.
Somos todos madrilenhos, hoje. Porque estamos todos de luto. Porque nos morreu um irmão, uma filha, um avô, um primo. Porque nos morreu, um pouco mais, a razão.