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pai e filho
rosas
innersmile
Primeiro é a cor, a luz. A maneira como a luz se agarra à pele do rosto das pessoas, ao relevo dos músculos das costas, aos telhados, às pedras da calçada, aos muros e aos portões de ferro forjado.

Depois são as personagens, um pai e um filho à procura de uma saída para o amor.

Depois é Lisboa, filmada como se fosse o ponto onde os carris dos eléctrico se separam.

Pai e Filho lê-se como um poema, como uma elegia à impossibilidade de a beleza, a beleza física, a beleza dos corpos, resistir às fracturas do tempo. A impossibilidade de dois rostos se olharem e se suspenderem nesse olhar. A impossibilidade de prender o que é leve como um pássaro e voa pelos telhados à procura de uma saída. De uma saída que não se deseja, mas a que se é forçado. A impossibilidade, talvez, do lugar da mulher, quando dois homens não são capazes de resolver o legado que os prende. Um filme claustrofobicamente masculino, como se o aço dos corpos fosse uma barreira intransponível.

Mas Otets i Syn é tão só um filme sobre o olhar, sobre a forma como o olhar se demora no teu rosto, no teu corpo, e como nessa demora habita a impossibilidade de um abraço ou de um beijo. Como tudo o que há a dizer se esvai quando o teu rosto se fecha sobre o meu, e a tensão que se cria é impossível de suster.

Como se entre um pai e um filho houvesse apenas lugar para uma mãe. Ou então não houvesse lugar nenhum.
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