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oh you know why
rosas
innersmile
Por estes dias a Ute Lemper está de novo em Lisboa (ontem e hoje, segundo a aminhagenda). Desta vez, vou passar o concerto, mas tenho pena porque deve ser uma (ainda outra) faceta da multifacetada e caleidoscópica Ute.
Sendo o concerto na Gulbenkian, não sei se as canções mais populares das óperas de Weill e Brecht farão parte do repertório. Ora, como isto anda tudo ligado, no aparelho do carro tem estado a tocar o best of da Ute, onde tem vez assegurada no botão do repeat a Alabama Song, a canção de Weill e Brecht que os Doors popularizaram ao ponto de quase se apropriarem da sua autoria.

Na Via Rápida de Bencanta, ao sol invernal do meio dia, julgaríamos nós estar muito longe da lua do Alabama, que a pedido indica o caminha mas à qual é preciso dizer adeus (oh you know why). Mas não!, parece que tudo se suspende, que os traços brancos desenhados no alcatrão são focos de luz num palco às escuras, quando Ute canta.

Oh, show me the way to the next pretty boy,
Oh, don't ask why, oh, don't ask why!
For we must find the next pretty boy,
For if we don't find the next pretty boy
I tell you we must die



Tenho saudades do Teatro Aberto, de ver os espectáculos da companhia.
Foi no Teatro Aberto, no velho barracão da Praça de Espanha, que eu vi as únicas duas óperas de Weill e Brecht a que assisti ao vivo: Happy End e A Ópera dos Três Vinténs. E foi também no Teatro Aberto que vi O Mar É Azul Azul, um espetáculo belíssimo que recriava quadros e canções de W/B.
Eu gosto muito da Ute, mas, para mim, a Surabaya Johnny terá sempre a presença e a voz da Irene Cruz a cantar com o tom mais apaixonado, desencantado, arrebatado e sofrido do mundo "surabaya Johnny, meu deus, eu gosto tanto de ti"