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at last I am free
rosas
innersmile
Não me consigo lembrar do tempo e da circunstância em que tomei conhecimento com a música do Robert Wyatt, tanto mais que o rock progressivo nunca foi exactamente a minha ‘cup-a-tea’. Tenho dois ou três discos em vinil, o Nothing Can Stop Us, de 82 e Old Rottenhat, de 85, ambos editados pela Rough Trade que foi uma das editoras míticas do princípio dos anos 80. E não sei se são dois ou três, porque as referências que encontro na net ao Nothing Can Stop Us não incluem três das minhas canções preferidas que o RW gravou e, tenho quase a certeza, através das quais eu cheguei à sua música: a Te Recuerdo Amanda, do Victor Jara, a Yolanda, do Milanês, e a Biko, do Peter Gabriel. Para além destas, o disco traz ainda a que foi o maior sucesso comercial do RW (quer dizer, o único sucesso comercial relativo que ele teve), a Shipbuilding, escrita para ele pelo Elvis Costello por ocasião da guerra das Malvinas, e ainda duas pérolas de agit-prop Stalin Wasn’t Stallin e Red Flag, que é uma versão da Internacional.
Aliás, por este grupo de canções percebo o meu fascínio pelo Robert Wyatt: são românticas, politicamente empenhadas, têm melodias simples, arranjos subtis, características que, no essencial, se mantiveram ao longo da discografia do RW – um lirismo terno que convive com uma capacidade de observação aguda e cerebral, canções simples e simultaneamente complexas.
O outro disco de vinil que tenho é o Old Rottenhat, que trazia, em 1985, aquela que julgo ser uma das primeiras referências no mundo da música, e da arte em geral, à ocupação de Timor pela Indonésia. A canção chama-se East Timor e, no minimalismo habitual da sua letra, fala do essencial, ou seja, que a invasão e o domínio indonésio só foram possíveis graças ao apoio dos ‘fortes’ da comunidade internacional (Timor /East Timor/ Who’s your fancy friend, Indonesia?/ What did Gillespie do to help you?)
Tenho mais dois discos em CD, o Dondestan, de 91, e o muito celebrado Shleep, de 97, e que é considerado por muita gente a obra-prima de Wyatt.
Este fim de semana, comprei o seu disco mais recente, Cukooland, e, como há muito tempo não ouvia com a devida atenção o Robert Wyatt, teve a frescura e a alegria de uma redescoberta, o regresso a um lugar feliz. As melodias simples, o conteúdo político e empenhado, um disco calmo e repousante e ao mesmo tempo estimulante e complexo, com maior influência do jazz do que era habitual, gravado parte em casa do Wyatt e parte no estúdio do Phil Manzanera. Entre as colaborações, os ‘regulares’ Brian Eno, Paul Weller e Annie Whitehead, entre outros, e uma nova colaboração que parece determinante para o resultado final, a de Karen Mantler, acerca de quem a única referência que encontrei é que se tratará da filha da jazzwoman Carla Bley. Para além das faixas assinadas por Robert Wyatt, a solo ou em colaboração com a sua companheira Alfreda Benge (entre elas uma lindíssima Old Europe, que recria o ambiente dos clubes de jazz parisienses dos anos 50), há as já habituais versões, com destaque para Raining In My Head, em piano solo, e para Insensatez, do Tom Jobim.

Para os interessados, há um site oficial, ou pelo menos oficioso,sobre o Robert Wyatt.
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rosas
innersmile
A questão é: como é que, depois de passado o carnaval, vou conseguir descolar a máscara do meu rosto?