February 22nd, 2004

rosas

cold mountain

Tenho de admitir que de certo modo estava preparado para gostar menos do filme. Foi, ao contrário, o filme de Anthony Minghella a que 'aderi' mais depressa, que mais eficazmente me convenceu. Acho que há aqui um certo perigo: Cold Mountain faz lembrar demasiado 'O Paciente Inglês' naquela coisa de dar caução artística a um filme romântico, como se o melodrama fosse qualquer género menor, e não aquilo que é, talvez o género mais nobre do cinema, aquele género para o qual o cinema se tornou o meio por excelência. E o perigo é que quando se repetem fórmulas está-se a muito mais de meio caminho para que a única coisa que sobressaia sejam os tiques e os maneirismos.
Mas acho que apesar disso, Cold Mountain é eficaz, acredita na sua história e nos seus personagens, e consegue fazê-los passar. O filme tem espessura, sente-se uma certa profundidade, uma densidade, e em dois ou três momentos é realmente muito comovente, o que é sempre uma coisa boa a dizer-se de um filme.
Outra coisa boa do filme, é ser tanto um filme de actrizes. O contraponto doméstico às cenas de guerra ou da 'odisseia' de Inman (é curioso tomarmos consciência de que todas as viagens são, como a de Ulisses, um regresso a casa, e como todas as aventuras são sempre homéricas) é sempre muito forte e repousa inteiramente nas personagens femininas. Nicole Kidman está muito bem, e Renée Zellweger é histriónica como nunca a tinhamos visto, não obstante a sua composição roçar perigosamente a caricatura. De cada vez que vejo o Philip Seymour Hoffman parece que o ecrã se ilumina, aquele gajo é o melhor actor que anda por aí. Surpresa também vêr o Jack White no ecrã, e a sair-se tão bem. Agora, filho da puta!, aquele Jude Law é bonito como uma seara ao sol, porra!