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(no subject)
rosas
innersmile
"Vou da Cabaceira às praias,
atravesso Mussuril,
traje embora o céu d’escuro,
ou todo seja d’anil;
de Lumbo visito as águas
e assim vou até Sancal,
chegou depois ao mar-alto
sopre o norte ou ruja o sul."


Estes versos foram escritos em Abril de 1874, por um obscuro amanuense da Administração da Ilha de Moçambique chamado José Pedro da Silva Campos e Oliveira. Natural da Ilha, Campos Oliveira foi residente em Goa, onde terá estudado jurisprudência (Manuel Ferreira, no III Volume do Reino de Caliban, refere que não se confirma que terá estudado Direito em Coimbra), e regressado à sua terra natal, foi fundador, proprietário e director de um periódico, tendo deixado colaboração em muitas outras revistas e jornais.

Mas o que vem agora ao caso é que entre 1967 e 1976, esses nomes, Ilha de Moçambique, Cabaceira, Mussuril, o Lumbo, foram-me familiares e quotidianos, com essa leveza de vôo de passarinho que têm as coisas na infância.

Em Janeiro de 2003, voltei a pass(e)ar pela familiariedade desses nomes e dessas terras. Um traço a sublinhado grosso, aliás: passei pelos nomes, e passei pela minha memória deles, imprimindo cada passo do passeio duas vezes.

Mas entre 1874, quando os versos foram escritos, e 2003, quando os li pela primeira vez, a única coisa que se manteve inalterada foi o "céu d'escuro ou (...) d'anil". E a impossibilidade de uma baía, que só existe no momento em voltamos a cabeça para o caminho do regresso, depois de um último olhar.

[O poema completo está, naturalmente, à sombra dos palmares]
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