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rosas
innersmile
Aquele pianista dava concertos tão longos, que se deles se dizia que davam piano para mangas.
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ratoeira
rosas
innersmile
Não tenho nenhuma simpatia pelo Vale e Azevedo. Acho que um dos males maiores da sociedade portuguesa é a impunidade do crime do colarinho branco. Repugna-me viver numa sociedade em que o prestígio de alguém se mede pela quantidade de sinais exteriores de riqueza que consegue exibir, mesmo quando sabemos todos que isso só foi conseguido à custa de actividades ilícitas, a começar pela fuga ao fisco, que em Portugal é sinónimo de respeitabilidade social. Por isso, acho que o Vale e Azevedo, e todos os outros a quem a justiça conseguiu apanhar, devem ser condenados, mesmo que se sintam bodes expiatórios da ladroagem generalizada.
Mas aquilo que se passou ontem, e que, se não estou em erro, já se tinha passado com um dos acusados do processo da pedofilia, parece-me totalmente inaceitável. Não ponho em causa a correcção técnica das decisões, aliás acho que nenhum juiz se arriscaria a fazer uma coisa destas se não estivesse convicto da impecabilidade da sua decisão.
A questão é que me parece que aquilo que fizeram ao Vale e Azevedo, ou a outro tipo qualquer, não é isso que está em causa, é de uma crueldade escusada. Um preso não é uma pessoa destituída de direitos, ainda que, por ter sido condenada por uma prática em relação à qual a sociedade lança um juízo de reprovação, veja alguns dos seus direitos diminuídos, ou cerceados. O bem da liberdade individual é, considera-o o direito, talvez o mais importante a seguir à vida, e é por isso que as sociedades “castigam” o indivíduo privando-o daquilo que ele tem de mais precioso (quando são civilizadas q.b. e não punem o criminoso naquilo que ele tem de mais precioso, precisamente a sua vida).
Ora, o preso só está privado do seu direito à liberdade, não está, ou não deve estar, privado além disso do seu direito a determinar, do ponto de vista de construção consciente da sua vontade e dos seus comportamentos, a sua vida. Criar num preso as condições para ele poder determinar, do ponto de vista psicológico, que vai recuperar o seu bem precioso que é a liberdade, para depois o segurar à porta da prisão e tornar a metê-lo lá dentro, parece-me um acto de puro sadismo, aquilo a que se chama ‘brincar com a vida das pessoas’, e que me parece de todo inaceitável.
Eu não sei se me estou a conseguir explicar, mas o que eu quero dizer é que não me interessa se o Vale e Azevedo devia ou não ser libertado, se devia ou não continuar preso. O que eu acho reprovável é porem-no cá fora e trinta segundos depois tornarem a pô-lo lá dentro. Se ele não devia ter sido libertado, isso devia ter sido resolvido previamente entre o sistema judicial e o preso ou os seus representantes. Quer dizer, isto tudo no pressuposto de que quando lhe anunciaram de que ia ser libertado não o preveniram logo de que iria tornar a ser detido.
Tenho a impressão de que este texto não está nada claro. Mas o que eu quer dizer é que fiquei impressionado com esta coisa de chamarem um tipo, dizerem-lhe que vai ser libertado, porem-no à porta da prisão com as malas, e logo a seguir tornarem e detê-lo. Porra, não lhe tinham criado a expectativa de que ia ser libertado, chamavam-no ao gabinete do director e diziam-lhe “olhe temos aqui uma ordem da Relação para o libertar, mas temos um novo mandato do juiz para o deter, de modo que volte lá para a sua cela”. Agora aquilo que aconteceu ontem, parece-me mais próprio de um Estado arbitrário, persecutório e vingativo, do que de um Estado que acha que os seus indivíduos são o seu mais importante recurso. Mesmo aqueles, ou sobretudo aqueles que estão presos ou numa outra qualquer posição de precariedade da sua cidadania.

calendário
rosas
innersmile
Ontem perguntei a um dos meus novos chefes se ele achava correcto, para converter dias em meses, dividir o número de dias por trinta.
Ele respondeu-me que era melhor eu verificar bem isso por causa dos aproveitamentos: para o governo o mês tem trinta dias, mas para a oposição pode ter só vinte e dois.
Ainda não recuperei totalmente.