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rosas
innersmile
Ana,
por vezes tenho a impressão de que voltaste a ler o innersmile.
Se estiveres por aí, dá um sinal.

[não confundir com "give me a sign, hit me baby one more time"..."oops, I did it again", cada vez cito mais frequentemente a Britney]

~*~

Bebia agora uma caipiríssima.
E se fosse uma da manhã, de preferência no Causa Nostra.

~*~

O innersmile anda cosmopolita. Agora foi a vez d'A Natureza do Mal linkar aqui para o 'esconderijo'. Fico muito contente quando vejo o innersmile aí a resplandecer pela blogosfera, mas tenho de confessar que isso também me causa um certo desconforto, saber que há muitos olhares a olhar para aqui. Um dia destes, tropeço em querer...

"I'm ready for my close-up, Mr. DeMille". Pois.


~*~

Em Tempo:
só para acrescentar que o post mais bonito de hoje na blogosfera inteira e todinha é esta ode.
Dito.

christopher john francis boone
rosas
innersmile
"Mas eu disse-lhe que se pode continuar a desejar algo que é muito improvável que aconteça."

O livro foi tema de destaque no Mil Folhas da semana passada. Corri a comprá-lo e li-o num ápice. Intitula-se 'O Estranho Caso do Cão Morto', o autor é Mark Haddon, e é uma história policial: o crime é o assassinato de um cão do título, e o fio condutor do livro é a investigação que o narrador leva a cabo para encontrar o respectivo autor.
Ganhou o prémio Withbread para o livro do ano em Inglaterra e por cá já vai na 2ª edição, na Presença. É um livro fascinante, daqueles que 'nos' acontecem muito de vez em quando e nos deixam diferentes do que éramos antes de os termos lido. O narrador do livro é Christopher, um jovem de 15 anos, autista, e o livro é todo escrito sob a sua perspectiva, pelo modo como ele vê o mundo.
Mas muito mais do que um livro sobre a deficiência, muito mais até do que um livro sobre a diferença, é sobretudo um livro sobre nós, sobre o nosso mundo dito normal, sobre o nossa terrível fragilidade, sobre aquilo que resta de nós quando nos despimos, ou quando perdemos toda a ganga de defesas e mentiras e artifícios que nos permitem ir sobrevivendo neste mundo, com mais ou menos feridas e cicatrizes emocionais. Um livro sobre alguém que olha de forma 'arrumada' e ordenada para o nosso mundo, e não entende este caos em que conseguimos viver. Apesar de supostamente ser Christopher o portador de um distúrbio comportamental, o que resulta são as disfuncionalidades e perturbações, a falta de sentido e o absurdo, da nossa 'vida real'.
O livro é deliciosamente divertido, e consegue ser simultaneamente leve e profundo, lê-se como uma aventura, é íntimo como um diário, mistura desenhos, diagramas, problemas de matemática, mapas de metropolitano, desenhos de nuvens (aposto que foi o primeiro livro que eu vi em que, à falta de capacidade descritiva, a nuvem é desenhada para melhor satisfação dos leitores). Tem um rato e uma personagem feminina que é das mais importantes da história e nunca aparece. Tem polícias e detectives (nada mais nada menos do o maior deles todos, Sherlock Holmes), relações extra-conjugais, velhinhas simpáticas. Como disse, o livro é divertido (muito divertido), mas também é comovente e triste, por vezes quase impossível de ler, tal o tamanho da dor e do espanto que nele se reflecte, que nos deixa o coração apertado e pequenino, quase como se fosse nossa a incapacidade de perceber 'tudo isto que nos rodeia'.
Como disse, é um daqueles livros que nos modificam por dentro.

Esta entrada é dedicada à moon_tales. Pelos motivos mais óbvios, mas sobretudo pelos outros.
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