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(no subject)
rosas
innersmile
Na Obra Poética de Rui Knopfli (INCM) há, lá pelo meio, uma mão cheia de poemas que o poeta traduziu (ou transpôs, como ele próprio escreve), num processo que começou quando Knopfli foi "vagamente estudante" em Joanesburgo, nos anos cinquenta, e só terminou vinte anos depois.
"Do poeta «traduzido» apenas consigo recordar que teria sido figura literária menor do final da dinastia Tang e que, tendo gozado de certo favor na corte, por mulherengo e quezilento, acabou por ser banido e desterrado, terminando os seus dias no exílio", eescreve Knopfli numa 'Explicação Necessária' aos poemas, para a seguir justificar a grafia que usou para o nome do poeta: Tao Li.
Ao conjunto de poemas traduzidos, e que desconheço se alguma vez foi publicado, chamou Knopfli 'O LIVRO MELANCÓLICO DE TAO LI', numa denominação que, suspeito, dirá tanto ou mais sobre o próprio tradutor do que sobre a matéria traduzida.

Agora que mais uma folha do calendário de despegou com inabitual placidez, vem muito a propósito um desses poemas, precisamente o poema nono do Livro Melancólico (descarto as notas ao poema que Knopfli fez; quem tiver assim tanta curiosidade, pode sempre ir à procura do livro):


Não verei o meu rosto sobre o Pavilhão do Unicórnio.
Vê-lo-ão as colinas do leste em tardes de vento,
a água tranquila do rio, o pó da estrada.
Isto, um certo tempo. Breve não mais tornarei à caça com o cão amarelo.



Caramba!, sempre na poesia as respostas mais essenciais e misteriosas. Mas nem por isso menos simples e cristalinas.