?

Log in

No account? Create an account

it's a sin
rosas
innersmile
A soberba é um dos meus maiores defeitos, talvez mesmo o pior. Não a vaidade, acho que não sou nada vaidoso. Mas sim uma certa superioridade moral, a mania de que sou ‘melhor’ do que os outros. Tento disfarçar com uma certa humildade, com o culto da bondade. Disfarçar, não no sentido de esconder, mas mais naquele sentido em que se diz que se disfarça uma bebida muito forte com uma outra mais suave, ou como se disfarça um guisado que ficou muito salgado atirando lá para dentro batatas.

(Atenção, aqui está o pecado da soberba em acção: começo por dizer que sou um merdas, para depois vir logo acrescentar que posso ser um merdas, mas na escala dos merdas sou dos merdas melhores, dos mais bonzinhos, dos que até merecem a admiração e o respeito dos outros...)

Bem, isto vem a propósito de eu estar ali a tomar duche e a pensar que não percebo como é que os outros (‘os outros’ é correntemente um eufemismo para os meus algozes, para os tipos que me andam a envenenar a alegria de viver) podem dormir descansados com as dificuldades, com as ameaças, com as suas próprias incapacidades e incompetências! Porque, porra!, eu vivo aterrado com as minhas. Aqui estou eu (quer dizer: ali estava eu) a tomar duche, super-mega-hiper preocupado com o que está acontecer, e a pensar como raio é que aqueles cabrões (variante não tão eufemística para ‘os outros’) conseguem lidar com os seus medos, com as suas incompetências. Não os assusta estarem a andar numa montanha-russa que pode ser letal? Não os assusta saber que vão aos comando de um comboio que eles não sabem conduzir, numa linha que eles não sabem onde vai ter, que muito provavelmente estão apenas a cumprir um plano que outros delinearam e de que eles são meros agentes inconscientes?

E foi aí que surgiu a coisa: não os assusta porque eles são uns merdas, uns sacanas filhos da puta que não prestam e só se movem por interesses, porque são mesquinhos. Eu não!, eu preocupo-me porque sei o que estou a fazer, porque tenho conhecimento do jogo e das suas regras, e consciência dos seus riscos e perigos. Porque, em suma, eu sou bom (no sentido de bondade, não no sentido de ‘eu sou do caraças’!, já esclareci que não sou vaidoso), tenho diamantes na sola dos pés e um halo dourado que me perfuma o coração.
Eu não disse que o meu pior defeito é a soberba?



Este innersmile anda muito melancólico e umbiguista. Espero que os olhos mais sagazes da blogosfera não andem para aqui virados. Tal como está, o innersmile é só mesmo recomendado, e mesmo assim muito ‘en passant’ e em doses muito suaves, aos olhos dos amigos, e, desses, só aos mais condescendentes ou aos mais indiferentes.

Não há nada para ver, toca a circular.