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missão impossível
rosas
innersmile
Às vezes gosto de pensar no innersmile como um peregrino, um ‘homem’ com uma missão, isso, um missionário. Claro, cada um tem as fantasias que merece e de que é capaz.
E adoptando a posição de missionário (é como quem diz, claro), a missão do innersmile é partilhar a beleza, é dar a conhecer a palavra, não de deus, mas da beleza, do homem e/ou da mulher capazes de criar coisas belas, coisas que nos acrescentam, coisas que nos revelam. Se o innersmile se pudesse sentar na sua poltrona outonal com a noção de ‘missão cumprida’ (ou seria missão comprida?) todos vós tínheis na mão um livrinho da Natália Correia.
A Natália morreu em 1993, e no mesmo mês em que faleceu (mas supomos que em data anterior), fez publicar ‘O Sol nas Noites e O Luar nos Dias’, a sua colecção de poesia completa, acrescida de todos os inédito que foi deixando fora dos livros que publicou ao longo dos anos. Dir-se-ia que a poeta teve a noção de que tinha de deixar os papéis arrumados. A Dom Quixote tem reeditado esse volume, com o menos belo título de poesias completas, ou qualquer coisa do género, que se distingue, entre outras coisas, pela suavidade da capa cor-de-rosa, não sei se por mero acaso ou se em homenagem à flor cuja carga simbólica e espiritual Natália tanto cantou.
Mas por mais que leiamos um livro de poemas, ele guarda sempre segredos por revelar. Hoje ao procurar na net um poema da Natália que me pareceu apropriado para um comentário que fiz no jornal do opiário, encontrei este soneto em que nunca tinha reparado:

Porque em teu pénis pulsam os papiros
E de seda no sono és um vitelo,
Porque os anéis de plenilúnio adquire-os
A luz de que se ocupa o teu cabelo,

Porque ergues a cabeça e caem lírios,
Porque abres a camisa e és muito belo,
Porque um gato de febre em teus delírios
Divaga meus quadris de terciopelo.

Porque eu saio da concha do vestido
E num palor de sol submetido
Declinas no meu fim inominável,

Porque nevo se estás no solstício,
És a paixão votada ao sacrifício
Que devo a uma estrela insaciável.


(Copiei o poema da net, não posso garantir que esteja correcto)

A sério, comprem o livro, fotocopiem-no, oferecem-no aos amigos, ou ofereçam-lhes tão só poemas copiados à mão na vossa caligrafia certinha ou descuidada, transcrevam os poemas para as páginas dos vossos cadernos e sebentas, enfeitem com eles as primeiras páginas dos vossos códigos, corram-nos nos screen savers dos vossos computadores, copiem versos para as portas das casas de banho.
Vão ver que o mundo e a vossa vida ficam mais bonitos.
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