January 28th, 2004

rosas

in the cut

Há uma cena em que o Malloy se vira para a Frannie e lhe diz qualquer coisa do género: "sabes qual é o teu problema? Tu és 'fucking' cansativa"! Ora, é precisamente isso que se pode dizer de In The Cut, que é um pastelão cansativo, pretensioso e com uma narrativa tão inconsequente que chega a ser confrangedor. Não se percebe como é que a Jane Campion, que fez essa obra prima de simplicidade e rigor que é 'An Angel At My Table', um filme tão esplendorosamente humano, faz esta coisa que cheira a pseudo por tudo quanto é lado: pseudo-erótico, pseudo-misterioso, pseudo-inteligente, pseudo-simbólico. Os planos são todos compostos para terem um ar muito intenso, muito cheio de significados. Tudo ali é artíficio e pretensão.
Pronto, pronto, não bato mais no ceguinho, mas é que não gostei mesmo nada do filme. E depois a Meg Ryan não ajudou nada, e eu tenho uma certa embirração com a Jennifer Jason Leigh, não gosto dela e, talvez por isso, nunca gosto muito dos filmes em que ela entra.
A única coisa muito boa que o filme tem é mesmo o Mark Ruffalo, que consegue subir acima da ambiguidade serôdia (pseudo, lá está) do seu personagem e dar algum calor a algumas das cenas em que entra. Eu já tinha gostado muito dele no 'You Can Count On Me', o único filme que eu tinha visto com ele. Faz-me lembrar o Marlon Brando, apesar de não ser tão bonito como o Marlão quando era novo, tem o mesmo tipo de magnetismo, de fisicalidade, como se 'aquilo tudo' lhe estivesse ali a palpitar debaixo da epiderme, como se o olhar se pudesse medir com um contador geyser.