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(no subject)
rosas
innersmile
Impossível não dar conta da brutal ‘morte em directo’ do jogador do Benfica Miklos Féher, ontem, no final de um desafio de futebol.
Num momento o homem está a sorrir, o mais poderoso animal da Criação, no momento seguinte cai desamparado para trás. É arrepiante. Sente-se, quase que se toca, esse misterioso e inexorável golpe que interrompe o sopro que anima uma vida, e que torna o corpo, de lugar de todas as possibilidades, em objecto absolutamente inútil.
É quase obsceno assistirmos assim pela televisão ao momento em que a síncope suspende tudo o que existe para um homem, tudo o que é um homem. Momento de fragilidade absoluta, que nunca a uns olhos deveria ser permitido olhar. Porque na morte dos outros espelha-se sempre a nossa própria morte, claro. Mas sobretudo porque não há maior devassa do que assistirmos ao momento cruel em que deus abandona com desprezo, e sem olhar sequer para trás, o coração de um homem.

Este texto foi escrito sob a emoção, e o arrepio, da morte de Féher. Mas já há uns dias que eu o devia a alguém. Por isso, ele aqui fica em carinhosa memória da minha amiga Lúcia.