January 24th, 2004

rosas

(no subject)

isto és tu
a hipótese do que já és
ou ainda por ser
os pelos na boca
a possibilidade por concretizar
e o teu corpo

olhas-me, de onde
por entre a pele, onde espreitas
negas-me, quando não falas, ou
as tuas ondas, a carne dos músculos
a ideia de movimento
as promessas de cada vez que respiras
que pousas a mão no ventre
que alastras em silêncio
que me voltas como uma parede
e eu fico em branco contra a luz
contraluz

outra vez
desfiar poro a poro
os dedos nas cicatrizes
a luz na janela, entre cortinas,
as manhãs baças
o segredo dos teus gestos
o que não me dizes, as palavras
a impressão na brancura dos lençóis
os teus olhos por um momento
- sim, por um momento,
os teus olhos, o teu olhar

há o teu peito
as curvas que o tempo faz no teu peito
ou a luz
o calor que emana do teu peito
o teu peito a preto e branco.