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folhado de carne
rosas
innersmile
O Punto GT foi ontem embora. Sniff...

Entre ontem e hoje vi dois filmes em dvd que tinha perdido nas salas. Um deles foi o "28 Days Later", de que gostei menos do que achava que ia gostar. Sobretudo a parte final, passada na mansão dos soldados. Deu-me um bocado de seca, e quando um filme é suposto criar um ambiente de tensão e 'suspense', ao invés dá seca, é muito mau sinal. De qualquer forma, o filme vale pelas espectaculares cenas de Londres deserta. É fantástico ver aqueles locais que conhecemos cheios de gente e movimento, de repente estarem completamente desertos. Para mais com aquele ar de êxodo, de que a cidade tinha sido abandonada à pressa. Impressionantes, estas sequências do filme.

O outro filme visto, foi o polémico "Irreversible", do Gaspar Noé, famoso (ou infame) por causa da cena de violação. O filme é, obviamente, impressionante, mas o que me questiono é se haverá filme para lá do choque. Se há coisa que de um modo geral me atrai no cinema é a narrativa, a forma como a história é contada. Este filme de Noé, naturalmente, é um desafio a este nível, não só pela linearidade inversa como a história é contada, como pelo trabalho de camara, iluminação, etc. E de certa forma, isso ajuda o filme: quando assistimos à cena do extintor no clube de sexo gay, estamos completamente desprovidos de qualquer emoção em relação às personagens, e por isso reagimos apenas ao horror da cena. De certa forma, isso torna a acontecer na cena da violação, é a primeira vez que estamos a ver a personagem de Monica Bellucci, e a utilização do plano fixo (que achei a mais brilhante ideia de cinema do filme), que nos coloca na posição de espectadores privilegiados e totalmente passivos da cena, só reforça o total absurdo do horror.
O problema é que o filme parece esgotar-se nessas duas cenas, e todo o resto da trama parece ser uma mera sucessão de 'quadros' que estão ali apenas para dar alguma razão de ser a essas duas cenas. Ou seja, o filme é um pouco como aqueles videoclips de luxo (tipo thriller do MJ) em que se pretende árranjar um contexto narrativo para meter lá no meio o clip musical. E isso esvazia muito o filme e, dessa forma, condena-o a ser um mero exercício voyeurista do horror e da violência.
Mas, claro, posso estar totalmente enganado e ter-me escapado qualquer coisa!

Eu sei que cada vez faz menos sentido pôr apontamentos 'umbiguistas' no innersmile. Aos poucos, um certo confessionalismo tem estado a ser completamente abandonado, na razão inversa do conhecimento que eu vou tendo de que ele vai, ainda que modestamente, saindo do restrito, e muito aconchegante, círculo da lista de friends! Mas talvez me ajude a aliviar um pouco a opressão que sinto no peito se escrever aqui que a minha vida profissional está cada vez mais absurda e insuportável. Começo a ter dúvidas de que a coisa se vá aguentar por muito tempo. Claro que temos sempre tendência para acharmos que nós somos os bons e os outros são os maus. Mas não consigo evitar sentir que estou a ser desconsiderado e, até, a ser vítima de um certo terrorismo.
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