January 12th, 2004

rosas

menina da lua

Tu sabes como é, não? Ela entra e coup-de-foudre!, estás conquistado. Talvez seja do ar tímido e desafiante («sou mais macho que muito ‘home’», como na canção de Rita Lee), talvez seja a graciosidade e o sorriso irresistível, a simpatia desarmante com que ela se dirige a ti. Talvez sejam os movimentos do corpo, a dança, a forma como a mão afaga a barriga, os gestos, que dão sentimento às palavras e interpretam-nas, como histórias que são. Talvez seja dos outros que lá estão (Tiago Costa, nos teclados, Silvinho Mazuca, no contrabaixo, Da Lua, na percussão, e Marco da Costa, na bateria), que sorriem para ela com indisfarçavel gozo. Talvez seja, apenas, da voz. Do timbre forte e cristalino, da afinação perfeita, da forma como a voz habita as canções, como as reveste por dentro. Uma voz com sopro de alma. São incontornáveis as comparações: ela canta e faz-te lembrar alguém, há momentos em que o registo da voz te traz outra voz à lembrança. Ou a forma como o corpo se deixa possuir pela música, como o corpo é o instrumento da voz. A forma como, por vezes, o corpo parece ser demasiado frágil e miúdo para o furacão que sopra lá dentro e que só pela voz se pode soltar.
Foi assim, sabes como é? Maria Rita entrou, cantou e, coup-de-foudre!, ficaste conquistado.

”Leva na lembrança
A singela melodia que eu fiz
Prá ti, ó bem amada
Princesa, olhos d'água
Menina da lua
Quero te ver clara
Clareando a noite densa deste amor
O céu é teu sorriso
No branco do teu rosto
A irradiar ternura
Quero que desprendas
De qualquer temor que sintas
Tens o teu escudo
O teu tear

Tens na mão, querida
A semente
De uma flor que inspira um beijo ardente
Um convite para amar... “


- Renato Mota