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Zhang Yimou é um dos mais importantes cineastas chineses, e um dos responsáveis por colocar a cinematografia daquele país nos ecrãs ocidentais. Hero é o seu mais recente filme e é, à primeira vista, uma obra estranha na carreira do realizador, pois trata-se de um filme de artes marciais, género habitualmente considerado menor pelo cinema que aspira a uma certa caução cultural (Tarantino, entre outros, tem-se esforçado por inverter este preconceito; Kill Bill, mais do que uma prova, foi para este efeito uma tese de doutoramento). Não é fácil, por outro lado, ignorar o sucesso de O Tigre e o Dragão (de Ang Lee, outro realizador do dito cinema sério), de que este Hero por vezes parece repetir a fórmula, tanto mais que o produtor de ambos os filmes é o mesmo; além disso, paira ainda na memória a experiência ocidental verdadeiramente desastrosa de Chen Kaige (talvez o mais decisivo realizador da sua geração), com um inenarrável Killing Me Softly, que avisa alguma prudência na passagem para os grandes meios dos realizadores da nova vaga chinesa.
Mas não me parece de todo justo desclassificar o filme de Yimou, nomeadamente considerando-o um pastiche de O Tigre e o Dragão, apenas para aproveitar o efeito-bilheteira. Yimou parte, desde logo, de um episódio histórico, situando o seu filme na génese daquele que se viria a tornar o primeiro imperador da China. Por outro lado, e estabelecido o lastro histórico e factual da história, Yimou cede lugar à fantasia e à lenda, uma vez que o filme é a história de um encontro, de uma conversa e do encadear de factos que levam a esse encontro, em que a verdade vai conhecendo diversas versões, numa técnica que faz recordar o Rashomon de Kurosawa, e que os dois protagonistas do encontro, o rei e um seu 'general', vão desfiando como armas de um desafio que poderá acabar na morte de um deles, como efectivamente acontece. Ou seja, se os combates que vão sendo narrados se desenrolam sob o signo da espada e das artes marciais, o verdadeiro e mais importante dos combates, aquele que se está a desenrolar durante o filme todo, disputa-se apenas com o poder da palavra, da argumentação, e da capacidade de ‘inventar’ a história mais poderosa, a versão dos eventos que melhor sirva cada um dos dois contendores.
Do ponto de vista narrativo, Yimou trata cada uma das versões que vão sendo apresentadas como se fosse quase um episódio, dispondo os vários elementos - protagonistas, espaço geográfico do combate, universo cromático – numa espécie de unidade autónoma das restantes. O filme é de uma beleza que por vezes corta a respiração, e as lutas têm aquele aspecto coreográfico que fazia as delícias de O Tigre e o Dragão.
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se digo
rosas
innersmile
Se digo coxa
o teu braço atravessa-se
no meu peito

Se digo ombro
a lembrança evanescente
os teus cabelos

Se digo arco
abro os olhos para a
abóbada do teu torso

Se digo pele
uma gota de orvalho
nos teus lábios

Se digo nuca
Se digo dedos
Se digo vales
Se digo nuvens

Se digo sémen
a pálida brancura dos teus olhos
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