?

Log in

No account? Create an account

o bule e o blue
rosas
innersmile
Ando tão falho que não sou capaz de dizer, como tu mereces, da emoção que foi ouvir-te, pela primeira vez, cantar ao vivo.
Quando, aqui há dias, li este poema do José Craveirinha, lembrei-me naturalmente de ti. E na noite de sexta-feira, quando te ouvi cantar Bessie Smith, lembrei-me logo do poema.

Por isso, reparo este meu atavismo, e só para tu ficares a saber que não foi vento vazio esse que soprou pelos meus ouvidos, com este poema, que tendo sido escrito para uma Maria, hoje é só para ti. Mas repara ainda, como realmente anda tudo ligado. O Craveirinha é um poeta (e um dos maiores) da minha terra. E, se bem te lembras, a primeira vez que te ouvi cantar, através de ligação telefónica abençoada por um amigo nosso, eu estava lá, na terra dele.
Bom, então o teu poema é assim:

O BULE E O BLUE

Seu
bule na mão
encho a chávena de chá.

Provo um gole.
Ergo-me quase ao tecto
um anjo doirado em ritmo blue
a teclar piano num arco-íris do Céu.

Oh! Bessie Smith, oh! Bessie Smith!

Era aquele o bule
do chá que Maria tomava.

Oh! Ponho-me blue na voz
de Bessie Smith, oh! ponho-me blue
na voz de Bessie Smith!

Fulgentes asas de andorinhas batem palmas
oh! Batem palmas os blues das andorinhas...

Oh! Bessie Smith, oh! Bessie Smith!

Sou um anjo doirado bamboleando blue
blue
blue
Oh! Bessie Smith, oh! Bessie Smith!

Era aquele o bule
do chá que a Maria tomava
como quem escuta um blue.

Mais um gole ó Zé mais um gole de chá
mais um gole para seres um anjo blue bamboleando
nas teclas do piano de arco-íris de Céu
lá onde Maria vive o Éden merecido.

Oh! Bessie Smith!
Oh! Bessie Smith!

O mundo está blue
blue
blue!