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pessene - conto
rosas
innersmile
Machava, Matola, Tenga, Pessene, Moamba, Movene, Incomati, Ressano Garcia. Daqui seguia-se Komatiport, Nelspruit, e o resto do mundo. Mas era em Pessene que ela descia do comboio, e alguém a vinha buscar de carro para a levar para a machamba da Avó Felicidade. Os dias eram longos e claros, muito por efeito do sol luminoso e de um céu côncavo que deixava as nuvens esfarraparem-se a meia-altura.

Os dias eram longos também porque neles tudo cabia, entre copos altos de vidro, cheios de leite fervido, passeios na carroça pelas picadas das redondezas, ou caminhadas a pé pela linha férrea, sim, essa mesma que desaparecia numa curva, de Pessene a caminho do mundo. Ou então ficava deitada de costas, braços estendidos na terra, olhando o céu alto e côncavo, com seus farrapos de leite coalhado. Então aparecia, cruzando por cima do azul, imenso bando de aves, minúsculas na altura, formando um V compacto, em migração de sabe-se lá onde e sabe-se lá para onde. Ela corria esbaforida para a casa, chamando: “Avó! Avó! Vem ver: casamento de passarinhos”.
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