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the italian job
rosas
innersmile
The Italian Job é um típico ‘heist movie’ feito num tom irónico e descontraído, que o torna num agradável produto de entretenimento. Trata-se de uma remake de um file com o mesmo título feito nos anos 60, com Michael Caine no papel de Charlie, e recupera do filme original as ideias essenciais, o golpe em Itália e os engarrafamentos citadinos como ‘arma’ de fuga, e a paixão dos Minis. Um elenco ‘vistoso’, com destaque para Mark Wahlberg e Charlize Theron, um Edward Norton que pareceu em baixo de forma, e uma aparição demasiado curta de Donald Sutherland. O filme vê-se bem, é divertido, o argumento é imaginativo, o tom é de uma certa sofisticação. E os Minis estão lindos!
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for a film
rosas
innersmile
exit music (for a film)

- para a P. e para o B.


convoco as imagens.
o que chega até mim são as fotografias do teu corpo a preto e branco. a porosa superfície das notas de um piano. as tuas pálpebras cerradas quando não estás a dormir e é quase manhã. a sombra escura do teu umbigo e a curva fértil do teu ventre. tu a virares-te na cama, devagar, quando a luz se côa no ar que exalas quando expiras. estarmos face a face no teu leito e a tua carne ser o princípio de tudo, a pausa que antecede a primeira sílaba de um poema. descubro pelo tacto a penumbra gris dos teus pelos. és uma floresta, uma gruta, um caminho de sol, um rapaz montado numa bicicleta que percorre veloz a estrada dos teus lençóis, um cão que nos lambe a nuca à procura da face do dono. ainda não falaste, mas não dormes já, és o brilho negro de um olho entreaberto, uma lágrima húmida que se esconde atrás do sono. há uma tentativa de voo na tua mão, o esboço desenhado da intenção de um gesto, ou apenas a tua mão a repetir, de memória, o que lhe ficou da noite anterior. rodas no horizonte do quarto, o cão dorme ao lado da cama, o obturador dispara sozinho, e o ar do teu quarto satura-se desta luz rugosa, porosa e cinzenta. tu já me olhas, agora, estás de frente para mim como se estivesses de pé, como se fosses um corpo inteiro à minha frente, tudo o que eu vejo e sinto, como a música de um filme que ainda só existe em escalas anotadas nas ondas que uma a uma vêm morrer na tua almofada.
passam carros na rua, há o ruído de um avião que se faz à pista, o rumor da vizinhança que sai para a rua, o vale da tua janela que se vai enchendo de cidade ao ritmo da luz intermitente de um semáforo, barulhos da cozinha, o odor do pequeno-almoço, e um rádio que subitamente deflagra como um choque, um acidente, uma catástrofe natural, abafa por completo o som do piano, as notas a preto e branco, a música porosa que até há pouco envolvia o teu corpo redondo e afável.
és uma sombra que desaparece fugaz e deslizante do campo do visor. eu sou o que resta de uma fotografia. memória a preto e branco pendurada na parede.
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