?

Log in

No account? Create an account

ficámos sem o Damas
rosas
innersmile
Estou muito triste com a morte do Victor Damas, até porque nem suspeitava que ele estava doente e fui completamente apanhado de surpresa. Eu sou sportinguista desde puto, mas nunca liguei muito a futebol, e o meu único ídolo futebolístico era mesmo o Damas. Lembro-me quando tinha para aí dez anos de ter umas figurinhas de plástico que saíam num detergente qualquer e que se prendiam num suporte para ficarem de pé, e quando me lembro do Damas o que me vem à ideia de imediato é essa figurinha de plástico, um desenho tipo caricatura com uma grande cabeça (e depois vem-me à lembrança o meu outro ídolo sportinguista, o Yazalde).
E depois o Damas sempre foi, ao mesmo tempo, um tipo porreiro e um senhor. Nunca se meteu naquelas polémicas estúpidas do futebol, sempre foi simpático e simples, nunca se armou em vedeta. Acho que o meu sportinguismo ficou, não mais fraco, mas mais pobre. Porque o Damas ser sportinguista e ser uma das glórias do Sporting, fazia parte das razões porque eu gosto do clube.

formosa e não segura
rosas
innersmile
Mais uma crónica exemplar, a de Miguel Sousa Tavares, sexta-feira passada, no Público. MST chama, de forma que pode parecer desassombrada apenas porque não estamos habituados a tanta honestidade, os bois pelos nomes, e para ele parece não haver vacas sagradas (credo, tanto gado vacum). E tem a qualidade acrescida de as suas crónicas (de costumes) não terem o tom superior de quem está a passar sermões ao pessoal.
Mas se eu vou aqui buscar a crónica da passada sexta-feira, é porque acho que o MST rematou mal a sua referência aos blogs e à net, no ponto em que menciona os sites anónimos com “informações” sobre o processo Casa Pia, e parece revelar aquilo a que não estamos habituados nele: que tem medo deste meio! “Quem nos protege? Quem nos defende”, parece ele perguntar lá pelo meio! Ora, não me parece que MST tenha de todo razão nas referências que faz de que os blogs ou a net em geral sejam uma arma mais poderosa e eficaz ao serviço dos cobardes.
Primeiro, são posições deste teor que suscitam os tão apetecidos, pelos poderes instituídos, apelos à existência de formas de controlo da internet. De censura, sem eufemismos. É verdade que pode haver injúria, infâmia, e até crime que se cometa através da net, mas esse é o preço que as sociedades evoluídas têm de pagar pela liberdade: quando uma sociedade é livre, está naturalmente exposta a abusos e ataques. Mas não me parece que a situação seja diferente do que se passa, por exemplo, na imprensa em geral: os tablóides de escândalos, tantas vezes utilizando as mesmas armas do boato, são o preço que pagamos por querermos ter uma imprensa livre.
Por outro lado, escrever mentiras num blog não é diferente do que dizê-las numa carta anónima! Argumentar-se-á de que o blog é mais aberto, logo espalha a mentira de modo mais rápido e eficaz. Não me parece. A eficácia do boato, do rumor, reside muito no modo subterrâneo e insidioso como se espalha, porque esse carácter de segredo, de coisa que só uns privilegiados sabem e fazem o favor de contar apenas aos seus amigos mais chegados, contribui muito para o credibilizar, para lhe dar consistência e força. O blog põe logo tudo à vista, não há lugar a insinuações, a segredos, a coisas que vão crescendo devagar e solidamente. Cabe-nos a nós, como nos cabe sempre, acreditar ou não. A verdade, neste caso, é responsabilidade de quem lê e não de quem dá a conhecer. Aliás, devia ser sempre assim, é um sinal de maturidade eu raciocinar perante o que me dizem e fazer os meus próprios juízos de valor. E mais, cabe-me a mim a responsabilidade acrescida de considerar que “aquilo”, ainda que podendo ser verdade, é de tal forma indigno que não me merece consideração. Ou seja, não é substancialmente diferente da atitude digna, como MS preconiza para as cartas e telefonemas anónimos, de as ignorar.
Como MST refere no final da sua crónica, o problema, o cerne do problema, não reside em meia-dúzia de boatos, falsidades ou insinuações que possam correr pela net e pelos blogs (aliás, muitas dessas insinuações já corriam por aí à boca pequena, e garanto que para correrem até Coimbra é porque transbordam em Lisboa), mas sim, como escreve MST, no facto de que a “sinuosa instrução do processo Casa Pia está a abrir a porta a toda a espécie de especulações e invenções”.

Claro que me “toquei” com o comentário do MST porque, afinal, o innersmile igualmente se resguarda numa dose razoável de anonimato! Claro que não há comparação possível, aqui não se ofende, não se insinua nem se difama. O anonimato do innersmile é, quando muito, uma forma pessoal e íntima de o proteger de certos constrangimentos e compromissos do tráfego social, e nada mais do que isso. Mas ainda assim, há uma certa dose de cobardia neste anonimato, que, espero eu, esteja muito longe da cobardia malévola, insinuante e insidiosa que o MST procura denunciar.

É incrível, não é? Lá vamos nós, todos direitinhos, muito senhores do nosso nariz, e de repente as observações inteligentes de um tipo que respeitamos abalam logo essa segurança compostinha. Um gajo sente-se logo posto em causa, não é? É como diz o Palma: “esta noite estou tão frágil”!