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Piratas das Caraíbas + Cidade de Deus
rosas
innersmile
Wade In The Water, encenação de Xavier de Frutos para a Companhia Instável, sexta-feira à noite, no Gil Vicente. Um conjunto de quadros ou vinhetas, com suporte musical variado mas quase sempre constando de ‘espirituais negros’ servem para XdF mostrar uma linguagem balética desenvolvida e coerente, e um conjunto de seis bailarinos de bom nível técnico. A cenografia é simples, e talvez por isso bem conseguida e servindo bem a atmosfera e o objectivo da peça coreográfica.

Exposição sobre Raul Lino, no Museu Machado de Castro, no âmbito da Coimbra2003. Muito curta para a dimensão do trabalho do arquitecto, e relativamente pobre nos materiais utilizados. Esperava-se mais de uma das exposições que foram apresentadas como um dos trunfos da C2003.


Piratas das Caraíbas – O Mistério da Pérola Negra
propõe-se recuperar um dos géneros nobres do período dourado do cinema americano e dos que não resistiu às alterações no indústria e nas narrativas daquele cinema, o filme de ‘capa e espada’, de que o filme de piratas era já um sub-género. E não é simplesmente possível ignorar as tradições e os códigos desse cinema, analisando este filme de Gore Verbinski por si, porque o próprio filme remete permanentemente para esses códigos! E então? Apesar de o filme resultar (muito porque a personagem do Capitão Sparrow é magificamente defendida por Johnny Depp) bem em duas horas de entretenimento puro e duro, não me parece que vá restaurar um filão.

No espaço de uma semana, outro filme brasileiro surpreendente. Cidade de Deus. Mas este é uma obra-prima, um filme fabuloso. Difícil e complexo, com uma estrutura fragmentária que parece a todo o tempo ir desfazer-se, e que, à medida que mais dispersa se torna sempre mais coerente. O que é notável neste filme de Fernando Meirelles, é como a estrutura narrativa adoptada faz mais pelo seu objectivo, pela mensagem que pretende passar, do que se tivesse adoptado um tom panfletário ou de denúncia. Escolhendo nunca se posicionar do ponto de vista moral (o filme, tal como as personagens, nunca distingue, pelo menos num nível mais primário e imediato, o bem e o mal), Meirelles vai antes construindo uma sufocante teia que, à medida que o filme avança para um desenlace inevitavelmente fatal, vais asfixiando o espectador com a mesma desesperança e “sem saída” que marca a vida das personagens. Deste modo, o filme pretende dizer que o que está errado na violência não é precisamente o seu carácter maldoso, mas antes o facto de não constituir, de todo, uma via de saída, um caminha que se possa percorrer para ir a qualquer lado. A violência gera sempre mais violência e o seu fim é sempre o holocausto.
Ainda mais assinalável, é que se consegue tudo isto através de um leque de personagens simpático, que provoca a nossa adesão imediata, pelo humor, pela descontracção de passarinho a voar, pela sensação de que se é maior do que a vida e ser rei e senhor, e até, porque não dizê-lo, pela beleza física.