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em trânsito
rosas
innersmile
No dia 22 de Agosto de 2002, por ocasião do seu centésimo aniversário, pus no innersmile uma entrada sobre Leni Riefenstahl, entrada essa que reproduzia já uma entrada antiga, de 1995, do meu diário pré-innersmile. Ao reler esses dois textos, não me parece que consiga acrescentar muito mais, ou pelo menos nada de válido, ao que já escrevi. No entanto, agora que, com mais um aniversário ainda fresco, Leni finalmente descansou, há só lugar para indagar do papel que o futuro da história reservará para esta mulher que, de forma exemplar e a esta curta distância, é, no melhor e no pior, no mais radicalmente melhor e no mais abjectamente pior, um dos rostos do século XX europeu.

O guil foi feliz quando disse que a notícia da morte do John Cash é seguramente falsa, porque ele é imortal. É, de todo o modo, uma notícia em falso. JC atingira já aquele estado em que, do ponto de vista artistico, estava efectivamente livre do compromisso do tempo. Como os outros ícones da música popular, a sua obra contamina os escaparates das discotecas com inúmeras colectâneas, sobretudo aquelas séries muito baratas que desconfiamos que estão neste mesmo momento a ser fabricadas aí numa garagem nas traseiras de um prédio de uma rua mal-iluminada. As colectâneas a 5 euros, com um papel mal impresso a servir de capa, são realmente um bom medidor do estatuto imortal de um cantor popular. E o JC era dos raros músicos vivos a atingir esse panteão de pouca glória das colectâneas baratas. Por isso a notícia da sua morte física, se parece alguma coisa, é que chega atrasada a esse panteão da imortalidade.