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con moto
rosas
innersmile
Há ali uma passagem, no segundo andamento da Sonata para Piano D850, de Schubert, em que não conseguimos deixar de imaginar o jovem Franz, óculos pequenos e cabelo despenteado pelo vento, sentado no lugar do passageiro de um automóvel desportivo descapotável, passeando pelas estradas sinuosas que atravessam os bosques das montanhas nos arredores de Viena.
Ao volante, um amigo predilecto do compositor, um desses jovens austríacos que trazem no pescoço e nos braços todas as promessas que o azul dos seus olhos não cumpre.
O automóvel segue suavemente pelas curvas sombrias até que, numa pequena recta que abre, no lado esquerdo, para um vale largo e verde, o sol derrama-se intenso sobre o carro e os seus ocupantes. Os cromados brilham, os cabedais e as madeiras refulgem, a pele fica mais rosada, e o linho das camisas mais branco. Pelo canto do olho, Franz olha para o rosto iluminado do amigo, e compõe mentalmente as notas de um beijo.
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