August 12th, 2003

rosas

o teu nome

O teu nome escreve-se ausência, e pronunciam-no todos os telefones calados.
As tuas mãos, a tua pele, o teu rosto, a gota de suor que te escorre pela fronte, são os fios de uma teia que não vejo.

Demora-se, o teu silêncio.
Não chega. Espalha-se nas ruas desertas, encostado às paredes, abrigado na soleira das portas, fugidio à luz incandescente dos faróis de improváveis automóveis.
Eu espreito à janela, atento aos sons que sobem da rua, mas o teu silêncio não chega. Estará no ladrar dos cães? Na voz que de súbito grita? No camião que despeja os contentores do lixo? Nos pneus que chiam? Na porta que bate?
Estará na madrugada, o teu silêncio, e chegará apenas depois de eu adormecer?
Será, o teu silêncio, este indissipável calor?

Toda a companhia que eu tenho, nesta longa noite de Agosto, é a falta que pressinto que me faças.
O teu lugar por preencher.
Vazio.