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Bruce Almighty
rosas
innersmile
Fui ontem ver o Bruce Almighty, com o Jim Carrey. O filme é fracote, ou não fosse realizado pelo Tom Shadyac, que, para além de ser especialista em JC (antes deste BA, tinha feito o Liar, Liar e o primeiro Ace Ventura), fez o inenarrável Dragonfly; mas se o filme é fraco, o Jim Carrey é absolutamente irresistível. Durante muito tempo, tive uma certa dificuldade em conseguir ver o actor para além da porcaria de filmes que faz, mas uma vez atingida essa capacidade de abstracção, que passa por fazer de conta que se está a ver um episódio de comédia, e não um propriamente uma obra de ficção em forma de filme, o gozo torna-se evidente. Aliás, não é coincidência que os meus filmes preferidos do JC sejam aqueles que fogem ao género comédia, pelo menos na sua formulação mais primária: o Man On The Moon, que continuo a achar uma obra-prima, o Truman Show, que é uma delícia de lisura e subtileza, e até o Cable Guy, que é um dos filmes mais negros dos últimas anos. O JC tem uma fisicalidade que é sobre-natural, sobre-humana, e por isso saem tão convincentes os seus truques quando ele está a fazer de deus.

Quando cheguei a casa estava a começar 'The Seven Year Itch', que foi uma espécie de documentário histórico-cientifico que o Billy Wilder fez. Histórico porque nos fala de um costume ancestral da Ilha de Manhattan, segundo o qual já os índios indígenas mandavam, durante o Verão, e por causa do calor excessivo que se faz sentir na ilha nessa altura, as suas mulheres e os seus filhos para as mais aprazíveis praias da Nova Inglaterra, e ficavam sózinhos entregues à sua actividade profissional predilecta: a caça; aparentemente, este costume ainda era observável na década de 50. A componente científica do documentário é dada através de um hábil metatexto: Richard Sherman, a personagem principal, é editor literário, e está a trabalhar numa obra do Dr. Brubaker, um cientista que apresenta um estudo sobre o sindrome conhecido por 'The Seven Year Itch' e que ataca os homens durante o sétimo ano de casamento, levando-os a procurar compensações afectivas, habitualmente de índole sexual, fora do casamento. Trata-se, naturalmente, de uma obra seríissima, em que os factos são reconstituídos com recurso a dois notáveis actores: o transtornado Tom Ewell e a sempre encantadora Marilyn Monroe. Uma obra determinante, com diálogos hilariantes de rigor e ambiguidade, apesar de não ser tão perfeita, só para não sairmos de dentro do género, como Some Like It Hot, a provar que Billy Wilder foi um dos génios maiores da história do cinema.
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