August 4th, 2003

rosas

tá tudo, tás a curtir

Na sexta-feira telefonei para a Habitat para encomendar mais duas estantes. Disseram-me que a comercialização da linha de estantes em causa tinha sido descontinuada! Refilei, claro: a estante parece no catálogo 2002/2003 e aparece no site. Telefonei para o serviço de clientes a refilar mais ainda. É que não faz grande sentido comercializar mobiliário modular se de repente os módulos deixam de ser comercializados. As meninas que atendem os telefones não têm grande culpa (claro que são sempre culpadas por trabalharem para uma multinacional, em vez de optarem por trabalhar numa carpintaria), mas ouviram-me disparatar. Escrevi um mail com cópia para a casa francesa (no meio do refilanço, alguém me disse que “eles” é que decidem que mobiliário é que permanece e qual o que é descontinuado, e quando perguntei quem eram “eles” – sim, estava-me a apetecer malhar em quem quer que fosse, indiscriminadamente- responderam-me que eram os da sede, em França) mas claro que não tive, nem tenho esperança de vir a ter, resposta. O tom do mail era aquele que eu aprendi com os diários do Joe Orton, umas cartas que ele escrevia em nome de uma personagem feminina que ele inventou de propósito para escrever cartas para o Times e a BBC, tudo muito formal, muito indignado, a dizer que nunca mais compro nada na Habitat e que ia fazer-lhes publicidade negativa. Bem, enquanto me lembrar e me sobrar um bocadinho desta irritação, não compro lá nada.

Ontem fui com a Cristiana, que tinha vindo no Sábado, passar o dia à Granja, com o Manel e a Filó. Foi um dia agradável, apesar de eu estar muito mole e ensonado. A parte mais interessante foi quando íamos a sair para almoçar e ficámos presos no elevador! Meia-hora. A parte pior foi ser um elevador muito pequenos, destes novos que têm umas lâmpadas fortes que ficavam mesmo por cima, e juntinho, à minha cabeça. Suei tanto que até o espelho do elevador ficou embaciado. A princípio aquilo foi um bocado ansioso, porque do número de emergência que se liga do elevador atendia uma gravação que remetia para um telemóvel. Claro que dentro do elevador não tínhamos rede nenhuma! Ao fim de um bom bocado, os vizinhos ouviram-nos e lá telefonaram para a empresa. A partir daí foi mais divertido e animado, e até a C. aproveitou para tirar várias fotos aos nossos rostos em pânico. A melhor tirada foi, como não podia ser, do Manel; discutia-se porque é que o elevador tinha parado, se tinha sido excesso de peso (pois, tudo a olhar para mim), faziam-se contas, e a Filó concluiu que não podia ser por isso, que nós éramos pessoas normais, ao que o Manel logo respondeu: "Ah, mas hoje em dia a normalidade tem muito peso"!

"Diz lá em que ponto é que estamos, Todos os meus manos, Bazamos ou ficamos". Passei o fim-de-semana todo a fazer, mentalmente, esta pergunta, de um rap dos Mind Da Gap. Ontem, a primeira coisa que fiz quando cheguei a casa, foi ir à net, ver se havia alguma pista. Continuo sem saber a resposta, e a verdade é que o pulso já bate um bocadinho mais devagar. É que na sexta-feira à noite, passou-me pela cabeça a possibilidade haver qualquer coisa.