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la dicha mia
rosas
innersmile
Pouco dias depois de Compay Segundo ter falecido, morreu Celia Cruz, outro nome dos maiores da música cubana. Apesar de viver em Miami desde a revolução castrista, Celia Cruz, juntamente com Tito Puente, foram dois dos maiores divulgadores da música de Cuba. A primeira vez que a ouvi a sério, foi quando saíu o filme 'The Mambo Kings', em que a voz dela animava parte significativa da banda sonora (não me lembro se chegava a entrar no filme ou não), e foi através dela, e do próprio filme, que me comecei a interessar por Cuba e pela cultura cubana, depois de me ter já "suavizado" o fascínio político pela Revolução.
É curioso porque quando morreu o Compay, os jornais deram muito destaque ao acontecimento triste (e muito merecidamente, claro), mas quase ignoraram Celia Cruz. Porque, suspeito eu, há muito de politicamente, e até de "culturalmente", correcto nisto tudo. Os jornalistas, e os opinion-makers em geral, gostam de dar a sua caução àquilo que acham que fica bem, ignorando aquilo que eles acham, vá-se lá saber porquê, que não está in.
E durante muitos anos, durante todos os imensos anos do exílio interno e silencioso dos "velhinhos" de Buena Vista Social Club, durante esses anos em que o Pablo Milanês era a única voz (alinhada) que conhecíamos, a Celia Cruz e o Tito Puente e todos os outros do grupo de Miami, eram os únicos divulgadores da música cubana, a genuína música de festa, a salsa, os boleros, as baladas românticas e apaixonadas.
Aliás, é interessante repararmos que sendo todos mais ou menos da mesma geração, todos esses músicos e cantores (a Celia Cruz e o Tito Puente, O Compay Segundo, o Ruben Gonzalez, o Ibrahim Ferrer, a Omara Portuondo, etc) vêm da mesma época, do período pré-castrista de Fulgêncio Batista, em que a ilha de Cuba era um gigantesco casino de recreio dos americanos. E que, possivelmente por isso, porque havia muita procura, é que houve uma geração tão notável e vasta de músicos. Por vezes, a história prega partidas ao "politiamente correcto". E é muito chato isto de a vida vir sem 'modo de usar'.