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Vai e Vem + Dolls + The Rules of Atraction
rosas
innersmile
Esta é a primeira entrada no innersmile escrita a partir do meu novo computador portátil. A propósito, enquanto estou a escrever isto, estou a tentar copiar um cd, mas está a ser uma tarefa bastante complicada e julgo que condenada ao maior insucesso! É o preço da nabice. Preciso de uma acção de formação em pirataria!

Ontem fui ao Porto com a M. cumprir mais uma maratona cinematográfica. O grande inconveniente destas maratonas, é que uma dose tão maciça de filmes rouba o período de reflexão que é necessário para cada um eles. Foi o caso de ontem. Vi 3-filmes-3, dois deles muito exigentes, e o terceiro mais ligeiro. Os filmes foram ‘Vai e Vem’, do João César Monteiro, ‘Dolls’, do T. Kitano, e ‘The Rules of Attraction’, de R. Avary. Ficam apenas aqui algumas notas.

É impossível dissociar Vai e Vem do facto de ter sido o último filme de JCM. Desde logo, porque o filme tem esse estofo de testamento. Por outro lado, ajuda conhecer-se alguma coisa da filmografia do realizador, nomeadamente os filmes que fez à volta da personagem João de Deus. Como sempre a escrita de JCM é irrepreensível do ponto de vista da erudição e da mordacidade. O filme está cheio de pérolas carregadas de ironia, verdadeiros epigramas que lêem o tempo e o lugar do autor. Uma coisa fascinante é como JCM na mesma passada faz filmes virados para o exterior, que reflectem filosofica, cultural e ideologicamente a sociedade, mas que são ao mesmo tempo filme muito íntimos (e não apenas intimistas), com uma dose de exposição que, muitas vezes, roça o insuportável.

Adorei o filme do Kitano, Dolls, e, francamente, não o achei assim tão diferente dos restantes filmes do realizador, até porque não é a primeira vez que TK se distancia do universo ‘yakuza’ que lhe deu fama. Além disso, este filme está tocado pela mesma sensação de perda que marca a generalidade dos seus filmes, revelando uma tristeza e uma gravidade que nunca fica atrás, por exemplo, de Hanna-Bi. Por outro lado, é um filme lindíssimo, marcado por cores saturadas, por um rigor no traço e na composição do plano, por um cromatismo totalmente pictórico.

Não há muito a dizer de The Rules of Attraction, que actualiza o romance de Bret Easton Ellis, que é, apesar de tudo (ou, seja, apesar de uma certa saturação) um dos escritores que acompanho sempre. O filme vê-se bem, é provocador q.b. (quer dizer, a este nível, porque comparado com o filme do JCM é um recreio de irmãzinhas...), mas a realização, e a opção por aqueles raccords ao contrário, torna-se um pouco cansativa e redundante, não tendo, aliás, grande função ao nível da estrutura narrativa, quer em termos de ritmo quer, como parece ser a intenção, na criação de um determinado “estilo”. Mas, como disse, vê-se bem, distrai, diverte, e na verdade, é o filme ideal para fechar um dia de maratona!

Confirma-se: Sou incapaz de copiar um cd. E como os bons e verdadeiros néscios, sou mesmo incapaz de dizer o que andei para aqui a fazer!
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