June 30th, 2003

rosas

(no subject)

Exposição nova no Centro de Artes Visuais (site ainda em construção): Dia Di Bai, que reúne trabalhos de vários autores, acervo do CAV e não só, sob o referente dos espaços daquilo a que agora se chama a ‘lusofonia’, e que será uma espécie de actualização de Língua Franca, uma das edições anteriores dos Encontros de Fotografia. Infelizmente, dos fotógrafos que lá me levaram, já conhecia todas as fotos expostas. Mas é sempre uma experiência de prazer ir ao espaço do CAV, e além disso vi um vídeo muito interessante, intitulado ‘Nostalgia’, mas cujo nome da autora agora não recordo, que constrói um documentário ficcional, ou uma ficção em estilo doc?, a partir de ‘home movies’. Achei a selecção musical, que ajuda e reforça o plano narrativo, um pouco linear e previsível, mas mesmo assim gostei bastante. Terno e muito divertido, aquele tipo de humor a que em inglês se chama ‘tongue in cheek’, e que é uma ironia benévola, mesmo carinhosa.

Ontem, na rtp2, no magnifico espaço de cinema que se chama DOCS e que passa às 20 horas, Kuxa Kanema, um filme extraordinário de Margarida Cardoso sobre o Instituto Nacional de Cinema de Moçambique que, nos anos seguintes à independência, se dedicou ao trabalho de registar em filme, com grande compromisso ideológico (e, porque não dizer, propagandístico), o momento inaugural do país, sob a bandeira do socialismo marxista, e de divulgar esse cinema pelas populações rurais. Onde acaba a cultura e começa a política é uma questão secundária, claro. Porque o que é importante, e único neste documentário, é assistir a esse momento irrepetível em que um povo, ou alguém por ele, se presta a construir uma utopia. E, no outro lado do tempo, a beleza fascinante ainda que trágica, do cadáver dessa utopia.

Num canal qualquer da TVCabo (seria o M6?)um anúncio a uma marca de água engarrafada, protagonizado pelo David Bowie, que se passeia por uma casa e vai deparando com todas as suas ‘metamorfoses’ com aquele rol de personagens que ele foi criando e compondo ao longo da sua carreira. O que é curioso, no entanto, é que a canção que me veio imediatamente à cabeça, e que seria a banda sonora perfeita desse filme publicitário, foi a ‘Playing Bowies with me’, do David Fonseca!

Faleceu a Katherine Hepburne com noventa e tal anos, quase cem. Ok, é uma parte importante da memória do cinema, da nossa memória do cinema, que se perde, e tal! Mas é sobretudo a morte de uma mulher que foi, provavelmente, a melhor actriz daquele que foi, e ficará a ser, o século do cinema.