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rosas
innersmile
Graças ao officialgaiman (e portanto graças também ao retorta que o trouxe para aqui), conheci aquele que é já um dos meus 'all time favorite sites': o Going Underground. Um sítio gigantesco, com muitos lugares a visitar e a ler, que vale, não tanto pelo metro em si (não sou nada trainspotter, nem na versão mais urbana de tubetrainspotter), mas por ser um bom espelho do que é Londres e de algumas idiossincrasias de "being british". E tudo com aquele sentido de humor muito típico, que está sempre a meio caminho entre o ingénuo, o non-sense, e o subversivo.

Durante a época gloriosa dos Abba, ou seja, durante aqueles 10 anos em que eles lançavam uma média de seis ou sete hits por ano, eu confesso que não lhes dei importância nenhuma, e a pouca que eventualmente dava, era só para dizer mal. Os meus gostos musicais estavam nos antípodas dos Abba, e eu estava um bocad naquela de "não gosto e tenho raiva a quem gosta". Não era bem raiva, era mais aquela sobranceria estúpida dos imbecis, de que na altura eu sofria ainda mais do que agora.
Na fase um pouco patética dos 35-40 anos, fiz uma spécie de spring cleaning da minha vida da qual resultou, em vez de quilos de lixo para deitar fora, muito lixo que tinha ficado de fora e que resolvi recuperar. Uma delas foi, precisamente, toda aquela música da altura em que eu tinha 18 anos, que eu não ouvia nessa fase, e que decidi ecuperar como fazendo parte integrante do meu património pessoal histórico-musical. Foi assim que os Abba, a par com muitos outros, foram recuperados nessa altura. E eu hoje convivo pacificamente com o facto de o Benni e o Bjorn (ou wathever o spelling do nome deles) serem uma das duplas de compositores mais entusiasmantes da música popular da minha lifetime, apesar de nunca ter conseguido diferenciar a Agneta da Frida (nem, para o caso, o Benni do Bjork). Fui ver o Mamma Mia em Londres e fiquei eufórico (mas os musicais têm essa característia hormonal de me deixarem quase sempre nesse estado). E, agora, neste ano da graça de 2003, e graças à boa vontade do Pedro, tenho finalmente em casa a cópia da Definitive Collection, ou seja, dois cd's inteiros com os Abba hits!
Mas há uma canção dos Abba pela qual eu sou perdidamente apaixonado há muitos anos, e que conheci graças a uma versão que uns tipos chamados Blancmange fizeram aí por meados dos anos 80 e que me fez prestar atenção a essa canção extraordinária que é The Day Before You Came. Tenho a vaga sensação de que já falei sobre ela por aqui, mas, e porque este é o meu livejournal, e porque eu estou a ficar um bocado gaga, posso falar aqui as vezes que me apetecer sobre os assuntos que me apetecer. Sempre podem pôr comentários a dizer "já contaste isso, avôzinho"!.
Estou aqui a pensar se hei-de por ou não a letra da canção aqui. Acho que não. Quem a quiser ler nas calmas pode consultar um site da especialidade, por exemplo este. Mas é uma canção notável, com uma tensão dramática muito grande, que se ouve quase como se se lesse um romance. E foi uma canção que me esteve muito presente numa altura em que tropecei tola e estateladamente de paixão ao ponto de quase desejar que a minha vida retornasse à calmaria e à rotina do day before you came. O que me fez apreciar ainda mais a canção, que passou, desde essa altura, a ter um lugar de honra na compilação da banda sonora da minha vida. Bom, agora que falei nisso, não há nada a fazer, a letra vai mesmo para aqui:

Must have left my house at eight, because I always do
My train, I'm certain, left the station just when it was due
I must have read the morning paper going into town
And having gotten through the editorial, no doubt I must have frowned
I must have made my desk around a quarter after nine
With letters to be read, and heaps of papers waiting to be signed
I must have gone to lunch at half past twelve or so
The usual place, the usual bunch
And still on top of this I'm pretty sure it must have rained
The day before you came

I must have lit my seventh cigarette at half past two
And at the time I never even noticed I was blue
I must have kept on dragging through the business of the day
Without really knowing anything, I hid a part of me away
At five I must have left, there's no exception to the rule
A matter of routine, I've done it ever since I finished school
The train back home again
Undoubtedly I must have read the evening paper then
Oh yes, I'm sure my life was well within it's usual frame
The day before you came

Must have opened my front door at eight o'clock or so
And stopped along the way to buy some Chinese food to go
I'm sure I had my dinner watching something on TV
There's not, I think, a single episode of Dallas that I didn't see
I must have gone to bed around a quarter after ten
I need a lot of sleep, and so I like to be in bed by then
I must have read a while
The latest one by Marilyn French or something in that style
It's funny, but I had no sense of living without aim
The day before you came

And turning out the light
I must have yawned and cuddled up for yet another night
And rattling on the roof I must have heard the sound of rain
The day before you came


Repare-se só no preciosismo de passar a canção toda a relatar factos rotineiros e banais, para acabar com aquele "It's funny, but I had no sense of living without aim The day before you came" melodramático e completamene apaixonado. Caraças!, parece um filme. É assim: quando uma canção pop(ular) é perfeita, não há nada mais perfeito que uma canção pop.
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