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(no subject)
rosas
innersmile
Passou a noite passada na rtp1 o documentário 'Quanto Tempo', que o Luís Osório fez com e sobre o seu pai, o José Manuel Osório, e a partir do qual foi feito um livro que é uma extensa conversa entre pai e filho, e de que já escrevi aqui há umas semanas.
O documentário não é tão "excitante" como o livro, apenas porque enquanto o tema central do livro era o encontro, ou o desencontro, entre pai e filho, o documentário focaliza-se mais na personalidade do JMO. É naturalmente uma personagem fascinante, que o filme segue como que dando testemunho de que a vontade de viver, e de viver com dignidade, é a melhor muralha contra a doença. Ou seja, não é por se debruçar mais sobre o JMO que o documentário tenha menos interesse, nada disso. O que se passa é que, pelo menos a mim, o que mais me fascinou no livro não foram as histórias, as memórias, os factos, mas sim, e sobretudo, esse acontecimento mágico, mais implícito que nomeado, de que o livro era testemunho, e que foi o encontro entre um pai e um filho que sempre pareceram viver em círculos "desconcentricos". Encontrar o lugar das afinidades, do carinho, do amor, da franqueza, e da fragilidade extrema, num terreno que era aparentemente estéril. E essa comoção, essa ferida em carne viva que por vezes nos fazia interromper a leitura para não perturbar com o nosso olhar despudorado uma intimidade intensa, uma coisa só deles, é que me parece estar ausente do documentário.
Mas mesmo assim foi, como outra coisa não seria de esperar de um trabalho de autoria do LO, um momento televisivo de espanto e miragem. Que, como sempre que acontecem esses momentos nas estações nacionais, passou discreto e a horas um pouco envergonhadas. Eu só vi porque os amigos são mesmo para as ocasiões, e chegou-me um sms amigo a avisar.

Enviado pelo retorta, fui ler o artigo do Miguel Sousa Tavares, sobre O Massacre do Jornalismo (era o que faltava eu pôr aqui o link!, façam favor de procurar aqui). O desassombro do MST devia ser considerado património nacional, pelas suas qualidades despoluidoras e purificantes. Já era tempo de alguém denunciar, e nada como um profissional prestigiado e respeitado para o fazer, que o jornalismo português, talvez com excepção daquele que se vai praticando nas redacções das rádios, está muito doente, e padece precisamente da mesma doença que se entretém a denunciar! Os noticiários da televisão, então, são uma montureira interminável que, para mal dos nossos pecados, ainda por cima insiste em ser servido à hora das refeições!
E com uma agravante: além de néscio, a maior parte do jornalismo de serviço é de uma arrogância absurda, convencido como está de que é o guardião da moral e dos bons costumes, sem atentar em alguns factos simples: a maior parte das vezes cheira a merda porque ele mexe na merda; ninguém guarda o guarda, ou seja não há mecanismos de controlo eficazes que impeçam o jornalismo de destruir "honra e fazenda" de quem lhe cai nas garras.
E o que é grave é que isto nem sempre foi assim, e foi diferente, e infinitamente melhor, há muito pouco tempo (apesar daquele poema do Álvaro de Campos que diz qualquer coisa do género: "Então a impensa portuguesa é que é a imprensa portuguesa? Puta que os pariu. Não, que nem há puta que os parisse". Se não é mesmo assim, anda lá próximo, que eu estou a citar de cor).

Tenho andado a ler com atenção os blogs em voga na blogosfera e, francamente, tirando 4 ou 5 excepções, a grande maioria não tem grande interesse. Muito narcisismo (olha quem fala!), muito jornal de parede (abundam os links, as citações, e reprodução de notícias de jornais digitais ou em papel), e, ao contrário do que acontece aqui no Livejournal, muito cinismo e "killer instinct". E uma coisa que me espanta: muitas referências a "gajas boas"!!! Ao menos aqui no Livejournal, os nossos meninos não passam o tempo todo a falar de gajas boas, talvez porque estejam ocupados a namorar com elas...
;)