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livejournal and so on
rosas
innersmile
Estou com a cabeça um bocado confusa, porque ando a pensar numas coisas, mas não as tenho muito ordenadas.
A primeira é que a modéstia é uma forma de vaidade. E não há nada pior do que a falsa modéstia. E isto vem a propósito do seguinte: atrás de referências que vão aparecendo aqui pelo Livejournal, andei a espreitar o mundo dos blogs em português. Bom, o primeiro exercício de vaidade é que encontrei referências e links para o innersmile (e uso o plural porque foram dois links e uma citação!). Juro, e é aqui que entra a (falsa?) modéstia, que não fazia a mínima ideia. Nunca me tinha passado pela cabeça, nem nunca me tinha entretido a pensar nisso. Sempre achei que a audiência aqui dos amigos era mais do que suficiente! E se admitia a possibilidade de haver pessoas que não estão na lista de amigos a ler, nunca pensei que isto ultrapassasse o universo do Livejournal, para além, evidentemente, das duas ou três pessoas do “outerspace” que conhecem este endereço. E isto que tem? Nada! Mas confesso que fiquei um pouco baralhado. Há um certo conforto em pensar que há pessoas “lá fora” que nos lêem, mas por outro lado, retira algum do prazer íntimo que também está aqui subjacente.

Aliás, é esta sensação de intimidade que torna, a meu ver, o Livejournal mais interessante do que, nomeadamente, o blogspot, onde há, indiscutivelmente, blogs muitíssimo interessantes e, de certa forma, mais sérios. Mas, e tenho a certeza de que isso se passa com a maior parte das pessoas que andam aqui, o que nos traz todos os dias, ou quase, a estas páginas é não só a vontade de escrever ou registar alguma coisa, ou mesmo de a divulgar e partilhar, mas também o interesse, que é mais do que a vulgar curiosidade, em saber o que é que está acontecer aos amigos. Mesmo que a noção de “amigo”, por aqui, seja o suficiente lata para abranger os “strangers in the night” com quem nos vamos cruzamos.

Parte dessa sensação de comunidade, tem a ver com os comentários. A opção de por comentários, aqui no Livejournal, dava direito a uma tese de mestrado (e mesmo, quem sabe, de doutoramento). Os comentários dão-nos o aconchego necessário para sabermos que não estamos sozinhos no mundo, mas, como tudo o que mexe com o plano afectivo, podem ser uma forma de escravatura. A cada passo todos já nos queixámos, e se não o fizemos foi só por pudor ou mesmo embaraço, da falta de ”fio de béque”. Estarei eventualmente a exagerar, mas se não for uma coisa assim tão intensa, anda lá perto. Estava agora a olhar para a fase, sem saber muito bem como continuar. E tudo o que me vem à ideia é ‘Caramba!, como somos frágeis!’ E neste momento não consigo elaborar muito mais sobre este assunto.

Tem a ver com isto, mas não só. Uma conversa no Sábado à noite, de raspão, sobre publicar ou não as coisas que eu escrevo. À partida, a ideia de publicar é aliciante claro. Eu acho que já o disse por aqui, mas foi só depois de começar a escrever aqui no Livejournal que eu retomei o gosto, e o respectivo labor, pela escrita dita literária (e eis que regressa a modéstia e a falta dela). Ou seja, apenas desde que tive a noção de que havia alguém que me lia. Porque efectivamente só vale a pena escrever para os outros. Mesmo quando julgamos que escrevemos para nós, estamos sempre a escrever para os outros. O movimento da escrita é sempre centrífugo, ainda que o seu impulso seja, as mais das vezes, centrípeto!
Mas se começar a racionalizar, começam a acumular os motivos para ficar sossegado. Primeiro, por causa do medo! O medo de me sujeitar ao escrutínio alheio, e da rejeição. Depois, porque, com toda a franqueza, não sei muito bem em que é que isso me acrescentaria alguma coisa. Sou demasiado preguiçoso e procrastinador para conseguir encarar a escrita como um ofício. Acho que há tantas palavras escritas, tantas frases, tantos textos, tantos livros, ainda por ler, que a humanidade passa sem angustias de maior sem mais um livro. Que, e isso é outra razão, eu acho que não traz nada de novo, de diferente, não resolve nenhum mistério, não ilumina nenhum enigma, não contém nenhuma resposta. Não faz falta, em suma. E juro, cá voltamos nós, que isto não é um exercício de falta modéstia! Não me acrescenta nada saber que há alguém no Burkina Fasso, ou em Alguidares da Beira, para o caso tanto faz, a ler o que eu escrevo e, eventualmente, a maravilhar-se com improváveis pérolas! Agora, claro que gosto de partilhar o que escrevo, e quando ponho alguma coisa aqui, sinto uma certa emoção em saber que vai ser lido, e até que vai ser lido por quem! Aliás, essa seria talvez a única razão pela qual eu gostaria de editar: poder partilhar, poder oferecer coisas que são minhas a outros. Mas isso pode muito bem ser resolvido com uma impressora e uma fotocopiadora.