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os sonhos, as casas + wordsong ao vivo
rosas
innersmile
Nas semanas anteriores à minha ida a Moçambique, sonhei muitas vezes com o momento em que iria rever a casa em Nampula onde passei parte significativa da minha infância e adolescência (na verdade, foram apenas 9 anos, mas o tempo dilata quando somos novos e encolhe quando chegamos à velhice). Em todos esses sonhos, a casa que eu encontrava no local onde eu morei, nunca era a casa que foi minha, ou era um edifício, ou era uma ruína, ou, pura e simplesmente, era outra! Esta noite, pela primeira vez (que eu me lembre, claro), sonhei efectivamente com a casa. No resto foi um sonho parecido com os anteriores, ou seja, o tema do sonho foi o regresso e o reconhecimento, mas desta vez a casa estava tal e qual como quando a encontrei quando fui a Nampula, as duas ruas que formam a esquina iguais ao que são agora. Eu estava sentado num muro (que não existe) em frente à casa, e, outra novidade, apareceram os meus pais. Quando eu lhes indiquei a casa, ela estava, não como está agora, mas como estava há 30 anos, quando eu lá vivia, e a rua era também a da minha infância, sem as frondosas acácias que, agora, cobrem de verde e sombra toda a rua. Mas se a casa estava tal e qual quando nela vivemos, as casas ao redor, no sonho, eram ou ruínas ou outras. Quando eu mostrei a fotografia que tirei à casa aos meus pais, a minha mãe comentou que uma palmeira do jardim tinha sido plantada pelo meu pai. No sonho, lembro-me de ter apontado para a palmeira do jardim, chamando a atenção da minha mãe para o facto de ainda lá estar a palmeira que o meu pai tinha plantado.

Peripécias várias e alguns deslizes técnicos retiraram algum entusiasmo ao espectáculo Wordsong Al Berto, ontem à noite no TAGV. Mas a qualidade da música, mesmo considerando que o guitarrista, e um dos mentores do projecto, não estava presente, foi sempre significativa. E as palavras de Al Berto prestam-se ao jogo proposto por Pedro d’Orey, e, envolvidas numa diversa prestação artística, oferecem diferentes leituras em relação ao original suporte poético. Muito bom, ainda, o vídeo projectado, e espantosa a sua interacção com o que se passava no palco. Mas a emoção da noite foi mesmo ver o João Peste!
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