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bacon em serralves
rosas
innersmile
Exposição ‘Cage / Uncaged’, pintura de Francis Bacon, em Serralves. Há uma emoção forte que emana da pintura de Bacon (e que apenas se concretiza vendo os quadros assim, ao vivo e em tamanho natural), uma mistura de angústia e glória, como se o pintor morresse em cada tela, e que transforma a visita à exposição numa experiência simultaneamente dolorosa e libertadora.
É uma pintura profundamente humana, feita, como o homem de todos os dias, de miséria e horror, de doença e clausura, mas também de densidade e esplendor, de redenção a afirmação. Os corpos como que extravasam sempre os seus limites, o que é particularmente nítido nesta exposição, que reúne quadros do pintor onde parece concretizada uma certa ideia de confinamento. Por outro lado, esse extravasar de limites (do corpo e do próprio quadro), aliado a uma certa representação animal do corpo humano (como num dos trípticos monumentais, em que às representações "humanas" dos quadros laterais, se contrapõe a figura do quadro central em que a bestialidade do corpo humano tornam-no já de difícil contorno e reconhecimento), conferem aos quadros uma evidente pulsão erótica.
Preciosa a pequena galeria que abre a exposição (e que, para surtir o seu completo efeito, deveria ser "consultada" no início da visita, para nos ajudar a preparar o olhar, mas também no final, quando mais facilmente compreendemos a diferença entre, segundo Bacon, aderir a um quadro directa e imediatamente, e percebê-lo através do cérebro, da razão), e que reúne material diverso (imagético, sobretudo) que impulsionava Bacon, bem como frases do pintor que sintetizam de forma brilhante a sua ideia de pintura, e que nos dão pistas importantes para a compreensão da sua obra.
"If you can speak about it, why paint it?"

Antes de Serralves, incursão consumista ao NorteShopping. Livros (poesia de Luis Cerruda, crónicas do Pacheco e Olhos de Cão de um novo autor nacional) CD’s (Rough Guide da música indiana, e duas colectâneas de clássicos da Columbia, John Coltrane com Miles Davis, e Billie Holiday) e DVD’s (Beleza Americana, O Sentido da Vida, Small Time Crooks e Battle Royale) na Fnac, e uma jarra azul na Habitat.

O episódio mais estranho do dia, foi ter encontrado pessoas de família no NorteShopping. De repente, juntaram-se dois mundos que eu quase sempre consigo manter afastados. E estou muito convencido que, pela primeira vez, esses familiares se aperceberam de facto (até aqui, julgo que só suspeitavam) de que há efectivamente um mundo que eu habito e que mantenho secreto. Novos episódios se seguirão dentro de momentos, ou talvez não?