March 13th, 2003

rosas

baal

Há qualquer coisa no teatro de Jorge Silva Melo que faz lembrar a poesia de Al Berto: o mesmo tom físico e visceral, atravessado por um lirismo profundo e pungente. Assim acontece com Baal, obra particularmente negra de um BB jovem, ainda longe do pessimismo social que se associa à generalidade da sua obra, e que os Artistas Unidos trouxeram a Coimbra. Uma dramaturgia intensa, mas que repousa quase em exclusivo nos actores e no seu jogo, o que representa um risco acrescido e que nem sempre é ganho. Miguel Borges é um actor extraordinário e entrega-se ao papel com a vertigem de uma explosão, mas falta (–lhe?) um certo peso em cena, aquela capacidade, que tem tanto de trabalho como de carisma, de dominar completamente o palco e a plateia. Talvez seja um problema de voz, não sei, ou talvez de juventude (a única doença que tem cura), mas nota-se que, apesar de MB se entregar por inteiro ao seu papel, dir-se-ia como que por um processo de osmose obsessiva, o seu Baal nunca é o verdadeiro dono do jogo, como a peça, e sobretudo a encenação, pediam.
Seja como for, esta passagem dos AU, de JSM e de MB pelo palco do TAGV ficará como um dos momentos inesquecíveis deste ano cultural.

Na terça-feira, depois de uma ausência de quase três meses, voltei a nadar. Não tinha saudades nenhumas da sinusite, que, claro, voltou logo a dar sinal. Nem da quantidade imensa de banhistas que infectam as pistas. Mas estava cheio de saudades da sensação de ausência de peso que se tem a flutuar, e do movimento ritmado e quase mecânico e autónomo das braçadas. E nadei um quilómetro, o que não foi nada mau. Hoje deve haver mais!