March 7th, 2003

rosas

de uma ilha a outra ilha

(para o Mário)

De uma ilha a outra ilha
Entre uma e outra raiz
O que vai de um mar a outro
Do meu a outro país

Arco, porta, ponte, molhe
A mesma pedra no chão
A mesma língua que falha
Diversas horas que são

No tempo eu me desfaço
Existência de papel
Desenho na areia o traço
De Muhipiti ou São Miguel

numa ilha só morre o que lá está
o que conta no que foi é o que será



[em itálico, versos de José Mário Branco para a canção De Pé (Saudação a Antero)]



este poema, com dedicatória e tudo, estava ali guardado desde o fim-de-semana à espera que o chamassem. hoje parece ser um dia especialmente apropriado para ele aparecer