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família + jmbranco
rosas
innersmile
Por vezes, fico desesperado com o facto de não conseguir "funcionar" com os meus pais. Eles estão a ficar muito velhotes, e já se baralham muito. E se eu chamo a atenção para as "asneiras" ficam todos ofendidos. Agora estou mesmo chateado: o meu pai trocou a medicação da minha mãe, fez uma confusão enorme, eu refilei com ele, e ele ofendeu-se todo. Não sei o que é que hei-de fazer mais, e sobretudo como é que hei-de fazer mais! Porque é que o meu irmão também não tem esta obrigação de os acompanhar e apoiar? Caramba tudo o que eu faço é mal feito, estão sempre a dizer que eu estou bruto e mal-educado. Olha que porra!, um gajo da minha idade a ser repreendido pelos pais. O outro gajo não liga nenhuma, e eu se digo alguma coisa que não seja amén!, já me estão a criticar. Families and how to survive them...

Pronto, não me apetece falar sobre mais nada. Mas sempre digo que o concerto de Sábado foi muito bom, apesar de me parecer que o JMB estava um pouco em baixo de forma. Mas mantém-se intacta a sua enorme capacidade de arranjador: mesmo reduzidas à sua forma mais simples, voz e guitarra, as canções aparecem "vestidas", trabalhadas, de maneira a que a forma contribua para fazer passar a mensagem, a forma ajuda a contar a história, também conta a história.
E depois cantou "De Pé (Saudação a Antero)", que é uma canção que me comove sempre que a ouço.
E apresentou algumas canções inéditas, o que é sempre mais interessante (e difícil) do que fazer o habitual desfile de "discos pedidos".

Confesso que só não tenho muita pachorra para um certo lado “comicieiro-boa-consciência-esquerdista” a propósito daquilo a que já se pode denominar como “A Guerra”. A guerra e particularmente este conflito do médio-oriente, e nomeadamente a história do Iraque, e a posição e o papel dos EUA na ‘nova ordem mundial’, são assuntos demasiado complexos para se poder ter posições simplistas a propósito deles. Quer dizer, irrita-me que o pessoal pense que lá por um tipo não andar nos comícios a dizer mal do Bush é logo a favor da guerra. Agora o que está sempre em causa neste conflito é a defesa do “nosso” estilo de vida, ou, para ser mais implacável, da nossa civilização (e o petróleo faz parte integrante, e fundamental, da nossa civilização, deste mundo ocidental onde nos sentimos tão aconchegados, protegidos e, sobretudo, de barriguinha cheia). Ora, um gajo andar aí aos berros contra “A Guerra” parece-me que é um bocado ‘morder a mão que lhe dá de comer’. Ok, o Bush é um idiota, é uma página negra na história dos EUA, e dos seus presidentes, e os primeiros a reconhecer isso são os americanos. Basta percorrer alguns dos lj’s para nos apercebermos disso. Mas irrita-me que este “comício” todo anti-“A Guerra” mascare formas primárias de anti-americanismo.
Na minha opinião, o Bush quer “A Guerra” para, em nome do capitalismo das grandes corporations multinacionais, arranjar um fornecedor alternativo que garanta a dose de petróleo necessária para a nossa sobrevivência, e a preços que não nos dêem cabo das economias, e, consequentemente, da vida!, e de forma a, a seguir, poder ir aos cornos à Arábia Saudita, que anda a financiar o terrorismo e de quem estamos TODOS dependentes por causa do petróleo. O Bush sabe que é na Arábia Saudita que está a grande ameaça à nossa civilização! (por razões económicas, sociais, religiosas, etc), mas só pode atacar essa ameaça depois de arranjar ma fonte alternativa do santo e precioso petróleo. Por isso, quer dizer adeus ao Saddam, que é elo mais fraco.
Ora, este histerismo contra “A Guerra” parece-me um bocado hipócrita. Quer dizer, eu sou contra a guerra, todos somos contra a guerra, mas esta guerra é tão santa como todas as outras que houve na história. O que está sempre em causa, e o que sempre esteve em causa, é a defesa da “nossa civilização” contra a “civilização dos outros”. Por isso, eu sou contra a guerra, contra todas as guerras, mas fico calado (e dividido, e angustiado, claro) porque tenho consciência de que, em última análise, o que está em causa é a “minha” vida, o “meu” estilo de vida, o “meu” aconchego, a comidinha na “minha” mesa! Não perceber isto, parece-me ingenuidade ou hipocrisia! Claro que também me podem acusar de cinismo. Pois podem... Mas a diferença entre um hipócrita e um cínico, é que o hipócrita engana os outros enganado-se a si próprio. E o cínico pode enganar os outros mas nunca se engana a si próprio...
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