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jump up and kiss
rosas
innersmile
Espectáculo da Olga Roriz, ontem, no TAGV. “Jump Up and Kiss”, uma espécie de revisitação a alguns dos clássicos mitos amorosos dando pretexto a uma exploração das diversas formas do amor e de amar.
OR tem uma ideia de coreografia, apesar de não chegar a desenvolver uma linguagem de dança, um vocabulário que se apresente de forma minimamente coerente e reconhecível. Não obstante, isso não chega a por em causa a qualidade da função, dada a força da tal ideia de coreografia, a forma perfeita como OR organiza o espaço e marca (com rigor mas também com subtileza) o desenvolvimento e o ritmo do espectáculo.
Espectáculo forte, mas que nunca chega a ser chocante, utiliza magistralmente a música de Rachmaninov como contraponto lírico de uma acentuada carga erótica da coreografia. Erótica mas nunca sexual, nem mesmo quando o espectáculo se assume como mais gráfico ou explícito. Coreografia muito bem servida ainda pela extraordinária energia dos dançarinos/actores, que utilizam recursos diversificados e mais vastos que o mero registo balético.

O espactáculo de Roriz foi um oásis numa semana que está a ser desgastante. A minha mãe foi operada a um olho na terça-feira, e apesar de não ser propriamente uma coisa grave, é sempre uma fonte de preocupação e angústia. Correu tudo aparentemente bem, e já está em casa, mas o sofrimento daqueles a quem mais amamos é sempre tormentoso. O que custa agora, quando ela ainda não consegue ver praticamente nada, é como essa limitação se soma às limitações graves que ela já tem, e que a tornam ainda mais dependente. E a maneira quase inacreditável como ela sofre com essa falta de autonomia.

Também aqui no W a semana está a ser “imbecilizante”, mas isso não constitui propriamente novidade. O quotidiano é tanto mais devorador quanto mais medíocre, em proporção directa. Depois, há uma coisa para a qual eu nem sempre tenho a maior das disposições, que é ver as pessoas a não quererem resolver os problemas, porque isso as ia obrigar a assumirem-se e, por consequência, a saírem do grau nulo de intervenção a que se remeteram por comodismo e sentido de defesa e auto-preservação. E o que é grave é que esse tipo de atitudes e comportamentos, muito mais do que uma reacção individual, corresponde a uma resposta sistémica (e quem nunca pecou que atire a primeira pedra, yours trully included). Oh shit, que se foda...
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