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About Schmidt + Chicago
rosas
innersmile
Só duas notinhas para registar os filmes do fim-de-semana. Na Sexta-feira fui a Aveiro, ao Glícinias, ver o About Schmidt, basicamente porque a Manela me tinha "mandado" ver o filme. Afinal era porque um dos casais com quem o Schmidt se cruza na sua viagem, é de Eau Claire, Wi. O dispositivo narrativo do filme é simples, por vezes mesmo um pouco simplista. Nota-se que a realização mais não pretendia do que oferecer um veículo ao actor para mostrar a sua representação. Bem, mas é um daqueles casos em que "abençoado veículo"! Jack Nicholson faz aquilo que parecia impossível: surpreender-nos, num registo completamente diferente do que nos vem habituando. Mesmo as muito boas interpretações raramente conseguem ultrapassar a bi-dimensionalidade das personagens. Normalmente quando vemos um filme, sabemos o que é que a personagem está a pensar, mesmo quando na lógica da narrativa é suposto haver alguma dose de ambiguidade. Pois bem, Nicholson consegue o feito raro de "animar" de tal forma a personagem de Schmidt que é como se estivéssemos a ver uma pessoa "real", acerca de quem podemos estar a fazer uma determinada leitura, mas que nunca é transparente, nunca temos 100% a certeza de que é realmente "isto" que lhe está a passar pela cabeça. Admirável.

O Outro filme do fim-de-semana foi o inevitável Chicago. E a verdade é que o filme não desilude, mesmo um die-hard fan do musical como eu. Rob Marshal, e o argumentista Bill Condon, conseguiram manter o espírito de "Chicago" mas conseguindo uma adaptação que funcionasse em cinema, já que o dispositivo narrativo do musical tinha pouca espessura para aguentar uma passagem para filme. O que faz falta é mesmo mais coreografia e a "sexiness" que escorre do palco (dos corpos) para a plateia. Mas a história ganhou em clarificação, os números musicais remetem sempre para a experiência coreográfica do palco, mas sem perderem o seu lugar na narrativa. E alguns momentos são mesmo brilhantes, como o Cell Block Tango, Roxie Hart, o sapateado de Bill Flynn no julgamento e o Nowadays final. E depois há a história de Velma Kelly vs. Roxie Hart. Eu sempre gostei mais da Kelly, talvez porque sempre que vi o musical, a interpretação da VK Ter sido sempre mais forte (também ajuda a VK abrir as hostilidades com o All That Jazz). Bom, mas neste caso isso é muito complicado: porque a Catherine Zeta-Jones (que par de pernas, que mulher poderosa) é melhor que a Renée Zellweger (que vivacidade, que poder de sedução) que é melhor que a Catherine Zeta-Jones que é melhor que a Renée Zellweger que é melhor que a...
Se a produção de Chicago - o musical vale sobretudo porque é uma espécie de visita de estudo ao estilo coregráfico de Bob Fosse (que "criou" o espectáculo em 1975), a grande qualidade do filme é que mantém essa presença tutelar de Fosse a nível das coreografias, mas vai mais longe e arrisca construir um filme que é um verdadeiro objecto de cinema, e não uma mera filmagem de um espectáculo ou um produto televisivo de entretenimento. Arriscar fazer um filme-filme a partir de um espectáculo de palco (um pouco como Fosse tinha feito com Cabaret e com Sweet Charity) é, afinal, a melhor homenagem que se pode fazer ao Fosse-cineasta.
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