February 9th, 2003

rosas

Catch Me If You Can

Depois do festival hi-tech que construiu em Minority Report, Steven Spielberg retoma a pureza da fórmula: uma personagem, a sua história, e uma vontade intrépida de a contar. E fá-lo com um virtuosismo e uma subtileza fantástica: Catch Me If You Can ombreia lá em cima, entre as obras maiores do realizador, reconhecido já como, provavelmente, o seu filme mais pessoal e autobiográfico (e não são descabidas as comparações, não enquanto filmes-em-si, mas enquadrados no percurso cinematográfico dos respectivos autores, com Tucker do Francis Coppolla).
E o que mais seduz nesta história de Frank W. Abagnale (composição notável de Leonardo DeCaprio a provar que por detrás do heart-throb das adolescentes, palpita um verdadeiro actor) e do seu perseguidor Hanratty, é a maneira como Spielberg escolhe um universo formal leve, sofisticado e superficial, para contar uma história trágica e sombria, toda ela percorrida por uma orfandade triste e uma angústia abissal. Para além de DiCaprio, marca pontos Christopher Walken, imenso actor, que empresta profundidade e drama, não só à sua personagem, como à própria personagem protagonista.

A tarde de hoje passada a ver Monty Python e o Cálice Sagrado e mais a preciosa colecção de extras que recheiam a edição do DVD. O que mais espanta nestes Python, é como, 30 anos depois, o filme mantém uma frescura como se tivesse sido feito ontem. E talvez seja essa actualidade que explica, por si só, porque é que os ex-Python nunca se conseguiram verdadeiramente libertar da fórmula MP. Mas explicará também porque é que, neste caso, isso não parece patético e ridículo como nos demais!