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a realidade agora é possível
rosas
innersmile
A realidade agora é possível. É possível as ruas. É possível o chão, que podes pisar agora sem a incerta impressão de que pisavas apenas diáfanas memórias. É possível entrares agora num automóvel e conduzires ao sabor. Ires por onde te guia. Saberes que por aqui vais para, e por ali vais para. Que por aqui é a casa daquele e por ali aquela casa. Tudo, mesmo não estando presente, te é agora familiar ou estranho, mas é. Sabes que a realidade é agora possível, e existe. Respiraste o ar e aspiraste o odor que das avenidas se desprende. Voltaste à casa e sabias os lugares, sabias que ali, e que ali.

Deste a volta aos anos, e voltaste à realidade. Foi fugaz, é certo, mas mesmo o breve, sendo-o, deu-te um sentido, completou-te, tornou-te no que sempre foste, no que sempre tinhas sido, mesmo que não o soubesses, ou mesmo que embora o não soubesses. Afinal estavas ali. Era ali que perduravas. Passaste à porta de um lugar e perguntaste-te se seria ali. Mas mesmo a dúvida era mais certa que todas as certezas que tiveste até ali.

Voltaste, pois. E voltaste agora. Estás de regresso do regresso. Mesmo que tenhas voltado ao ponto de partida, que tinha sido ponto de chegada, voltaste chegado. Sabes agora. Reconstruíste, completaste e voltaste agora. A realidade, sim, voltou a ser possível, e a ter um lugar, e uma morada.

Sabes que há agora um último olhar depois do último. E que é nesse.
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